Mudança de ares e de áreas

postado em 03/03/2014 00:00
 (foto: Simony Mendonça/Divulgação)
(foto: Simony Mendonça/Divulgação)


O pedreiro Franciano Bernardes nasceu em Recreio, na Zona da Mata Mineira. Saiu de lá, viveu 10 anos em Portugal, onde trabalhava na construção civil (com arquitetura marroquina), e voltou para o Brasil em 2010. Depois que chegou, trabalhou na Rede Ferroviária, e vivia viajando de um lado para o outro. Há um ano, fez um curso profissionalizante no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e trocou um salário de R$ 1,6 mil, que ganhava num emprego que o obrigava a estar constantemente longe da mulher e dos filhos, pela profissão de pedreiro autônomo, com rendimentos de R$ 1,2 mil. ;Tenho casa própria. Valeu a pena reduzir o salário para ficar mais próximo das minha família. O curso do Senai ajudou muito nessa decisão;, afirma.

Para o economista e consultor Felipe Queiroz, a facilidade para encontrar trabalho no interior é fruto do controle da inflação, do crescimento da economia, das políticas sociais implementadas pelo governo e da expansão de investimentos rumo aos municípios de menor porte. Ele lembra que em janeiro o rendimento médio da população cresceu 3% frente a igual mês de 2013, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação entre janeiro e dezembro, o avanço foi de 0,5%. ;Antes, nos meses de janeiro, o emprego caía por causa da sazonalidade dos períodos de fim e início de ano. Esse padrão mudou;, analisa.

Levindo Costa é gerente do programa Escola Móvel do Serviço Nacional da Indústria (Sesi) e do Senai, que foi lançado em 2011 com o objetivo de resgatar profissões que vinham desaparecendo, como costureira, eletricista, pedreiro e merceneiro. O programa visita 17 municípios mineiros a cada mês. O objetivo é levar treinamento para o interior do estado, formando mão de obra para a indústria, cada vez mais escassa. De acordo com ele, entre os alunos que frequentam os cursos, 23% possuem bolsa do governo e outros 20% já estão no mercado de trabalho, mas querem mudar de ramo. Dos 60% restantes, nada menos do que 89% estão empregados em função da capacitação. (ZF)


ENQUANTO ISSO...
...propostas dispensadas

Somente em Arinos, no Noroeste de Minas, que fica a 750 quilômetros de Belo Horizonte e a 200 quilômetros de Brasília, o Programa Escola Móvel formou 450 pessoas, 40 como pedreiros. Esses 40 trabalhadores receberam proposta de uma empresa que os levaria para a capital do Brasil com emprego garantido, mas eles recusaram. É que depois do curso os profissionais começaram a ganhar dinheiro na própria cidade onde vivem, trabalhando por contra própria ou na indústria. De acordo com Cláudio Dedecca, da Unicamp, a rentenção no interior ocorre de maneira mais significativa entre a população de renda mais baixa, o que indica que há fatores relevantes que a justifiquem.

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