São Paulo

Do amor ao futebol

No segundo dia dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, chuva dá trégua e animação toma conta do público. Nos enredos, Ronaldo e temas abstratos

postado em 03/03/2014 00:00
 (foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)


São Paulo (SP) ; A chuva parou e o segundo e último dia de desfile das escolas de samba do grupo especial do carnaval de São Paulo deslanchou. A empolgação tomou conta do público no Sambódromo. As escolas Pérola Negra, Gaviões da Fiel, Mocidade Alegre, Nenê de Vila Matilde, Águia de Ouro, Império da Casa Verde e Acadêmicos do Tatuapé animaram o público, bem superior ao registrado no primeiro dia de desfiles.

Homenagens e temas abstratos, como fé e paixão, foram os enredos escolhidos pelas agremiações. A felicidade abriu o segundo dia de desfiles de carnaval em São Paulo. Foi esse o enredo escolhido pela Pérola Negra, primeira escola a entrar no Sambódromo do Anhembi, com seus 3 mil componentes, 21 alas e cinco alegorias. Uma pitada de preocupação, porém, deu o tom no fim do desfile, quando duas integrantes da escola passaram mal de calor, já na dispersão. Outro motivo de apreensão foi quando uma porta-bandeira teve parte da fantasia desfeita na avenida. Apesar do susto, todos passam bem.

Foi nos primeiros toques dos tamborins da Gaviões da Fiel que o público veio abaixo pela primeira vez no dia. Das arquibancadas, acenos com bandeiras que haviam sido distribuídas pela agremiação. A escola, vertente carnavalesca da torcida do Corinthians, homenageou o maior artilheiro das Copas do Mundo: Ronaldo Nazário, o Fenômeno. A história da vida dele foi contada na avenida. A apresentadora Sabrina Sato, madrinha de bateria, Tatiana Minerato e Thayla Ayala foram as musas da escola, que teve como cereja do bolo a presença do craque no último carro alegórico. Ronaldo estava acompanhado da família e se emocionou.

Ainda empolgada pela passagem da Gaviões, a plateia viu a Mocidade Alegre entrar e exaltar a fé. A agremiação tenta bater uma marca histórica: o tricampeonato consecutivo da folia paulista. A façanha foi alcançada pela última vez em 1988, pela Vai-Vai. O desfile foi altamente técnico e a escola foi bem em todos os quesitos. Ao menos no samba, a escola reuniu o budismo, candomblé e islamismo durante a evolução na avenida. Quarta escola a desfilar em São Paulo ontem, a Nenê de Vila Matilde levou os amores proibidos. A escola recorreu à história, literatura, ao cinema e a personagens famosos para desenvolver seu enredo no Anhembi, ao longo de suas 27 alas e cinco alegorias.

No único momento em que a chuva ameaçou estragar a festa, a Águia de Ouro entrou na avenida. Terceira colocada no último carnaval, a escola reproduziu no Sambódromo a Bahia que serviu de inspiração para o compositor Dorival Caymmi (1914 ; 2008). Penúltima a entrar na avenida, a Império da Casa Verde levou para o Anhembi enredo sobre sustentabilidade. O encerramento do desfile das escolas de samba de São Paulo foi feito pela Acadêmicos do Tatuapé, que cantou uma homenagem a São Jorge. A escola conseguiu o feito de manter empolgado o público do Anhembi, que ainda pulava nas arquibancadas mesmo depois de sete horas de desfiles e com os primeiros raios de sol invadindo o Sambódromo. Antes de desfilar, componentes oraram para o santo guerreiro. A cantora Leci Brandão, empunhando uma espada, puxou o samba-enredo da escola.

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