Bebeu, dirigiu, matou e vai se livrar da cadeia

Bebeu, dirigiu, matou e vai se livrar da cadeia

Juiz de Taguatinga concede liberdade a motorista responsável pela morte de mãe e filha em cruzamento de Águas Claras. Alessandra Oliveira, 33 anos, e Júlia, de 1 ano, não resistiram ao violento impacto

ROBERTA PINHEIRO ADRIANA BERNARDES
postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 12/5/14)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 12/5/14)

O vendedor Rafael Yanovich Sadite, 33 anos, vai responder, em liberdade, ao processo pela morte da jornalista Alessandra Tibau Trino Oliveira, 33 anos e da filha dela, Júlia Trino de Oliveira, 1 ano e meio. No início da noite de ontem, o juiz João Marcos Guimarães Silva, do Tribunal do Júri de Taguatinga, acatou o pedido da defesa, mas fixou uma fiança de R$ 30 mil para que Sadite saia da prisão.

O advogado de defesa do vendedor, Eric Pio Belo Coelho informou ao Correio que a família deve pagar o valor estipulado pelo magistrado até segunda-feira. Só quando o comprovante bancário for apresentado à Justiça, o magistrado expedirá o mandado de soltura. ;Só não efetuamos o depósito hoje porque não havia mais tempo hábil;, explicou.

Entre os argumentos usados pela defesa, estão o fato de que Rafael ser réu primário, ter emprego e residência fixa. Ao avaliar o caso, o promotor Fernando de Paula, da 3; Promotoria de Justiça, deu parecer contrário a soltura de Rafael ;para garantir a ordem pública em razão da gravidade da conduta praticada pelo motorista;. Em todo o ano de 2013 foram registradas 358 mortes no trânsito contra 392 óbitos em 2012. Dados de janeiro a abril deste ano mostram que durante os quatro primeiros meses de 2014 foram registrados 136 óbitos.

A batida aconteceu por volta da 1h, quando a família voltava para casa, na Quadra 21 Norte, emÁguas Claras. Antes, os três estiveram em uma reunião com parentes, no ParkWay, próximo ao Gama. Gabriel Faria de Oliveira, 31 anos, marido e pai das vítimas, conduzia um Honda Fit pela DF-079, na altura daQuadra 5 do Park Way, quando passou pelo cruzamento que dá acesso à cidade. O veículo foi atingido pela VW Saveiro conduzida por Rafael Sadite.

Com o impacto, Alessandra morreu na hora. Júlia foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, deu entrada no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), mas não resistiu aos ferimentos. Gabriel quebrou duas costelas. Sadite fez o teste do bafômetro e o resultado apontou concentração de 0,5 miligrama de álcool por litro de ar expelido dos pulmões.

O Correio apurou que Rafael acumulou 19 multas no último ano;14 delas por excesso de velocidade. A dívida com infrações chega a R$ 3 mil. Em 2008, ele foi flagrado duas vezes pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em uma delas, dirigia alcoolizado e ainda desacatou o policial. Na outra, disputava racha na BR-060, próximo a Alexânia (GO).

O que diz a lei
Desde janeiro do ano passado, por meio da Resolução 432/13, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) tornou mais rigorosa a tolerância de álcool no teste do bafômetro. O limite, que era de 0,1 miligrama de álcool por litro de ar, caiu para 0,05. Quem for pego dirigindo sob efeito de álcool sofrerá penalidades e pode ser preso. Pela resolução, se o teste do bafômetro apontar marca igual ou superior a 0,05 miligrama de álcool por litro de ar, o motorista será autuado, responderá por infração gravíssima, pagará multa de R$ 1.915,40, terá a carteira de habilitação recolhida, o direito de dirigir suspenso por 12 meses, além da retenção do veículo. Caso o teste aponte concentração igual ou superior a 0,34 miligrama por litro de ar, o ato de dirigir passa a ser considerado crime e o motorista, além de pagar a multa e ter a carteira de motorista apreendida, será encaminhado para a delegacia. Comprovada a embriaguez, o condutor pode ser condenado à detenção de seis meses a três anos.

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