Expectativa de dias menos tumultuados

Expectativa de dias menos tumultuados

Especialistas em segurança acreditam na tendência de os protestos diminuírem em todo o país até o início do Mundial, em 12 de junho

NAIRA TRINDADE GRASIELLE CASTRO
postado em 17/05/2014 00:00
 (foto: Mario Angelo/Sigmapress/Folhapress)
(foto: Mario Angelo/Sigmapress/Folhapress)

Um dia depois das manifestações anti-Copa nas cidades sedes do torneio, o clima de tensão arrefeceu em quase todo o país. A exceção foi Guarulhos (SP), onde cerca de 50 ativistas fecharam uma avenida e dispararam rojões contra a Polícia Militar, que revidou com bombas de efeito moral. Os moradores do Bairro Taboão cobravam melhorias na localidade. O caso isolado reforça a percepção de especialistas de que a temperatura das ruas brasileiras nos próximos 26 dias que antecedem o Mundial não deve esquentar como no ano passado, na Copa das Confederações.

;É praticamente impossível ocorrer protestos iguais aos de 2013. Isso não significa que não vão acontecer, mas serão menos intensos;, enfatiza o professor de sociologia da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Flávio Testa. ;As manifestações não têm mais aquela adesão maciça do ano passado. Os movimentos mais articulados, esses ainda vão insistir, mas o ambiente festivo da Copa vai desarmar muito os protestos;, complementou o coronel José Vicente da Silva, ex-secretário Nacional de Segurança Pública.

Também especialista em segurança pública, Luis Flávio Sapori, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais, concorda que, afora o Recife, que viveu um dia caótico devido à greve de PMs, os demais atos de quinta-feira revelaram uma tomada tímida, abaixo das expectativas. No entanto, ele ressalta que muitas categorias profissionais têm se aproveitado do momento. ;Não há dúvidas de que manifestantes grevistas estão se aproveitando da proximidade com a Copa para, de alguma maneira, ter mais visibilidade;, disse.

Uma das razões para a redução no número de manifestantes aos protestos é o aumento da violência nos atos. ;O vandalismo assustou muito o pessoal que endossava as manifestações, achando que era um espaço pacífico, de ocupar a rua. Esse movimento acabou esvaziado pela ação dos grupos radicais;, analisa o coronel Silva.

Outra diferença em relação a 2013, apontada por Luis Flávio Sapori, diz respeito ao comportamento das forças de segurança. ;Há sinais nítidos de melhoria na atuação da polícia. São posições visíveis, em linhas gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Significa que as polícias não ficaram paradas, elas se movimentaram, aprenderam com 2013. A metodologia e a técnica parecem mais claras.;

O Palácio do Planalto também acredita que os atos tendem a ser menos intensos daqui em diante. ;Se você observar, boa parte dos protestos não são contra a Copa, mas a favor da moradia, da saúde e da educação. Eles (os manifestantes) querem direitos;, diz o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

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