Incerteza eleitoral

Incerteza eleitoral

postado em 03/09/2014 00:00

Se a produção automotiva, com alta de 8,5% em julho, ajudou a alavancar os resultados da produção industrial, o mesmo não se pode dizer da venda de veículos pelas concessionárias. Com a economia em marcha lenta e os bancos segurando crédito, o número de consumidores com carro zero tem sido cada vez menor. O temor dos analistas é de que, diante de vendas tão escassas, as fábricas reduzam o ritmo de produção para tentar desovar estoques. Apenas em Brasília, como mostrou o Correio, o volume de carros nos pátios à espera de um dono já representa 50 dias de vendas das concessionárias.

Pesam ainda contra a produção o pessimismo crescente de empresários e consumidores e o colapso de confiança nas ações do governo, justamente em função da indefinição do cenário eleitoral. ;Hoje, o horizonte de planejamento de qualquer grande empresa vai apenas até outubro. Depois disso, ninguém sabe o que acontecerá com o Brasil;, assinalou o presidente da Associação de Investidores no Mercado de Capitais, Mauro Rodrigues da Cunha.

Não por acaso, analistas passaram a prever cenário ainda mais preocupante para a produção industrial do que o traçado inicialmente. Divulgado na segunda-feira, o boletim Focus do Banco Central já mostrava que as apostas do mercado financeiro eram de uma queda acentuada da produção das fábricas em 2014, 1,7%. Mas essa projeção pode ser revista já nas próximas semanas.

;Para frente, os indicadores já divulgados ainda não apresentam indícios de uma retomada forte;, emendou o economista Rodrigo Miyamoto, do Itaú Unibanco. ;Assim, esperamos um crescimento modesto da produção industrial e da atividade econômica em geral no terceiro trimestre;, escreveu, em análise a clientes.

;Infelizmente, esse é um quadro que não inspira qualquer confiança num cenário de retomada;, observou o diretor do Grupo de Pesquisas Econômicas para a América Latina do banco americano Goldman Sachs, Alberto Ramos. Na visão dele, o quadro é dramático. ;A indústria brasileira está em recessão, e encolhe há quatro trimestres consecutivos;, disse. (DB)

Pior que na crise
Uma análise do diretor do Grupo de Pesquisas Econômicas para a América Latina do banco americano Goldman Sachs, Alberto Ramos, mostra que nem durante a turbulência econômica de 2008 houve um cenário tão difícil para a indústria brasileira quanto agora. ;Durante a crise, o setor industrial teve uma sequência de resultados negativos de apenas dois trimestres, entre o fim de 2008 e o início de 2009;, observou. ;Agora, já são quatro números negativos, e não conseguimos enxergar uma melhora até o fim do ano;, disse.

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