A hora do Jovem Alerta

A hora do Jovem Alerta

ARNALDO NISKIER Membro da Academia Brasileira de Letras, presidente do Centro de Integração Empresa Escola no Rio de Janeiro (CIEE/RJ) e vice-presidente do CIEE Nacional
postado em 30/09/2014 00:00


O esforço de intermediação desenvolvido pelo Centro de Integração Empresa Escola no Rio de Janeiro (CIEE/RJ) tem foco na geração ;nem nem;, formada por jovens que não estudam nem trabalham. O programa, que atende a estudantes com idades entre 17 e 24 anos incompletos, está presente no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, e logo iniciará suas atividades no município de São João de Meriti.

A ação envolve, basicamente, um conjunto de oito palestras de orientação, incluindo a parte vocacional. Quando o jovem termina essa etapa com frequência total, recebe um certificado com o qual pode se apresentar nas empresas por nós designadas. Com o documento, ele automaticamente passa a ser o aprendiz legal: ganha o salário mínimo local, que hoje é de R$ 800, no Rio de Janeiro, além dos direitos trabalhistas. E eles devem estudar todo o tempo. Quem para de estudar perde os direitos.

Se deixarmos os jovens ociosos, com aquele dinamismo próprio da idade, com saúde, com energia, eles se tornam presas fáceis do desvio. Neste ano, vamos treinar 500. E já existe uma previsão orçamentaria no CIEE/RJ para dobrar esse número em 2015. No próximo ano, teremos mil jovens sendo assistidos em educação e na procura pelo primeiro emprego.

O programa paga uma bolsa-auxílio. O estudante recebe o primeiro salário. Para participar, precisa ter entre 17 e 24 anos incompletos e estar matriculado em uma escola regular, em qualquer série. Os jovens escolhem a ocupação conforme a sua propensão. Fazemos uma combinação entre as oportunidades que existem no mercado, que conhecemos muito bem, e as tendências do jovem. Alguns tendem para as ciências humanas; outros para a área de tecnologia.

Não forçamos o jovem a fazer aquilo que não quer. Caso contrário, ele desiste. Nossas especialistas verificam quais são essas tendências e os encaixam em um banco de empregos, oferecendo-lhes as oportunidades devidas. No projeto Jovem Alerta, desenvolvemos uma ação múltipla. Trabalhamos com os jovens e também com 3.500 empresas no Rio de Janeiro. As oportunidades oferecidas são todas informatizadas. Temos um banco de dados e fazemos essa intermediação entre o jovem e a empresa.

Estamos agindo na comunidade da Providência. Cumprimos um convênio com a Secretaria Estadual de Trabalho e Emprego do Rio. Esse programa é uma bola de neve. Os números podem se multiplicar na medida em que a garotada perceber que esse é um projeto genial. A necessidade pode nos obrigar a ampliar a oferta; e nós temos estrutura e vontade para fazer isso.
É uma pena que tenhamos limitações. Não podemos substituir o governo. O objetivo do CIEE/RJ é ajudar. Operamos com o Jovem Alerta, que vai se ligar muito rapidamente a um projeto muito maior, que é o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), pois é uma espécie de vestibular para o Pronatec, que hoje alcança 12 milhões de jovens. Estamos sendo sóbrios em um começo passo a passo e, à medida em que formos crescendo, desaguaremos no Pronatec. Além disso, o CIEE/RJ desenvolve, há quatro anos, o projeto Aprendiz Legal, que, hoje, atende mais de 7 mil alunos no Rio de Janeiro.

O Pronatec é um projeto muito bem-sucedido no governo federal. É um sucesso. Mas o Pronatec não pode nascer no quinto andar de um edifício. É preciso que haja base. E essa base é o Jovem Alerta, que fornece uma orientação fundamental, preparando o estudante para o próximo passo: a educação profissional. Com esse progresso, ele consegue um emprego de nível intermediário. E aquela bolsa de R$ 800 pode crescer. Há empregos de nível técnico que pagam mais de R$ 3 mil.

Hoje, há um certo desinteresse pelo tipo de educação superada, ultrapassada, com conteúdos desinteressantes. O jovem não se sente ligado à escola porque o ensino não tem ligação com a sua vida nem apresenta grandes perspectivas. Esse ensino preguiçoso, que é o mesmo do século 19, precisa ser reformulado.

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