Polícia segue cartilha do FBI

Polícia segue cartilha do FBI

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Correio, a ação dos policiais e negociadores foi exemplar. Agiram segundo a doutrina do serviço secreto norte-americano, que busca resguardar a integridade da vítima e do agressor

TAÍS BRAGA JOÃO VALADARES
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)


A condução da negociação entre a equipe formada por integrantes da Divisão de Operações Especiais da Polícia Militar do DF, do esquadrão antibombas e membros da Polícia Civil foi considerada ;irrepreensível; por especialistas em segurança pública ouvidos pelo Correio. O principal argumento para atestar o sucesso da operação é que a vida do refém e a do criminoso foram preservadas.

Especialista em gerenciamento de crise e resgate em sequestros, Marcos Martins Machado afirmou que a ação foi louvável. Machado, que é ex-diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, ex-secretário executivo de Segurança Pública e chefe da Divisão Antisequestro por 10 anos, ressaltou que os especialistas brasilienses seguem a mesma doutrina do serviço secreto norte-americano (FBI), pela qual ;a negociação é primordial;. A regra número um é ;quando se esgota a negociação, inicia-se uma nova negociação;, explicou.

Embora o sequestrador tenha surgido por diversas vezes na sacada do hotel, em posição de ser atingido por um atirador de elite, Martins Machado destacou que a polícia agiu ;dentro do padrão que é preservar a vida. Do refém, do bandido e da polícia;.

De acordo com o especialista, o trabalho de resgate necessita de calma, conhecimento teórico e prático e ;um comando firme;. Machado foi responsável pela ação de resgate no caso de sequestro de Wellington Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano, ocorrido em dezembro de 1988.

Professor e pesquisador em segurança pública da Universidade Católica de Brasília, Nelson Gonçalves também elogiou o procedimento policial. ;Em casos como esse, o primeiro objetivo é preservar a vida do refém. As negociações são feitas com esse intuito. O segundo objetivo principal é preservar a vida do próprio criminoso. Na verdade, qualquer medida mais agressiva contra o criminoso, medidas letais, como um tiro de comprometimento, deve ser o último recurso;, afirmou.

Ele explicou que o atirador de elite só efetua o disparo após receber uma ordem do comandante da operação no local. ;O objetivo último é matar. A experiência do negociador indicou que, naquele momento, o sequestrador não oferecia perigo. O negociador é quem diz o status da situação no momento. Se ele chegar à conclusão de que existe um perigo real para a vítima, emite uma ordem genérica ao atirador;, afirmou.


"Em casos como esse, o primeiro objetivo é preservar a vida do refém. As negociações são feitas com esse intuito. O segundo objetivo principal é preservar a vida do próprio criminoso. Na verdade, qualquer medida mais agressiva contra o criminoso, medidas letais, como um tiro de comprometimento, deve ser o último recurso"
Nelson Gonçalves, professor e pesquisador em segurança pública da Universidade Católica de Brasília




O que diz a Lei


Lei de Segurança Nacional (art. 20):
;(;) sequestrar, manter em cárcere privado, (;) praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político (;);.
Pena: três a 10 anos de prisão

Código Penal
Constrangimento ilegal
(art. 146)
Pena: 3 meses a 1 ano de prisão ou multa, punição que pode é dobrada quando houver ;emprego de armas;

Ameaça (art. 147)
Pena: 1 a 6 meses de prisão, ou multa.

Sequestro e cárcere privado
Pena: 1 a 3 anos de prisão, chegando a 5 anos se houver ;grave sofrimento físico ou moral;

Perigo para a vida
(art. 132):
Pena: 3 meses a 1 ano de prisão

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