Som ajuda cegos a identificar obstáculos

Som ajuda cegos a identificar obstáculos

postado em 19/11/2014 00:00
Ondas sonoras para guiar cegos. Eis a filosofia de um protótipo desenvolvido por cientistas do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Software Livre (NAP-Sol), ligado à Universidade de São Paulo (USP). Chamado de GuideMe, o sistema permite que o usuário identifique obstáculos por intermédio do som. Pequeno e ajustável à roupa, o dispositivo utiliza processamento de imagem e localização através do eco para reconhecer o ambiente.

;Imagine o deficiente visual aproximando-se de um balcão para pedir informações. Se não houver ninguém para atendê-lo, o sistema diz: ninguém à vista;, exemplificou, à Agência USP de Notícias, Francisco Mônaco, professor do Laboratório de Sistemas Distribuídos e Programação Concorrente do Departamento de Sistemas de Computação da USP e coordenador do estudo.

Mônaco ilustra outra situação de uso da solução tecnológica. ;Podemos imaginar o deficiente visual procurando por uma pessoa conhecida em um local público. Caso a pessoa seja detectada pela câmera, o sistema aponta para a aproximação dela e pode, inclusive, guiar o usuário até ela.;

Inovações
A comunicação se dá por um fone de ouvido que funciona em conjunto com um sintetizador de voz. O sistema explora duas técnicas inovadoras. A primeira, baseada em visão computacional, utiliza uma webcam convencional e algoritmos de processamento de imagem para detectar a presença de pessoas e identificar rostos conhecidos. A segunda utiliza sensores de ultrassom para localizar obstáculos. Por meio de um algoritmo de geração de áudio 3D, o dispositivo produz um som que indica a direção e a distância de barreiras que podem dificultar a locomoção.

O protótipo atual foi produzido em um equipamento de hardware fornecido pela empresa de tecnologia Intel. ;Pretendemos migrar para um hardware menor, mais leve e com maior eficiência energética, para que possa ser utilizado por mais tempo com auxílio de bateria. A longo prazo, pretendemos aprimorar a utilidade do dispositivo a partir da avaliação dos usuários;, explica Mônaco. O projeto foi o vencedor do II Concurso Intel de Sistemas Embarcados, cujos vencedores foram anunciados, no início deste mês, durante o IV Simpósio Brasileiro de Engenharia de Sistemas Computacionais, em Manaus.

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