Massacre no mercado

Massacre no mercado

Duas mulheres-bomba se explodem em meio à multidão e matam 78 pessoas, em centro comercial de Maiduguri, no nordeste da Nigéria. Boko Haram força fuga de militares para o Níger

LUCAS FADUL
postado em 26/11/2014 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)





Após o fracasso das negociações entre o governo de Abuja e o grupo extremista Boko Haram, crescem os temores de um novo avanço dos insurgentes islâmicos no nordeste da Nigéria. Em Maiduguri (capital do estado de Borno), um duplo atentado, quase simultâneo e cometido por duas mulheres-bomba, matou pelo menos 78 pessoas e levantou suspeitas de que a facção estivesse preparando a tomada da cidade de 1,1 milhão de habitantes. Até o fechamento dessa edição, nenhum grupo tinha reivindicado a autoria do ataque. De acordo com a agência de notícias France-Presse, ainda na segunda-feira, o Boko Haram ampliou o domínio sobre a província, ao conquistar o controle do município de Damasak, na fronteira com o Níger, obrigando a fuga de centenas de moradores.

Por volta das 11h20 (6h20 em Brasília), o estudante Ali Mohammed, 40 anos, estava na sala de casa quando foi surpreendido por duas grandes explosões. A 3km dali, no mercado de Kasuwa ; chamado de ;mercado de segunda-feira; ;, duas adolescentes detonavam os explosivos ocultos sob o niqab (traje islâmico). ;Foram explosões muito intensas, separadas por um intervalo de dois minutos. O local é o maior ponto comercial de Maiduguri e está sempre lotado;, contou ao Correio, por telefone. ;Todos na cidade escutaram as detonações.; Ali disse ter muito medo do Boko Haram. ;A ameaça é real agora e buscamos ser muito cautelosos.; Também morador de Maiduguri, o jornalista Maina Bwala disse à reportagem que as autoridades impuseram restrição de movimentos em um perímetro ao redor de Kasuwa. ;Há vários postos de controle da polícia, que vistoria os carros e as pessoas;, relatou Maina.

Situada no deflagrado nordeste nigeriano e perto da fronteira com o Níger, a cidade de Damasak está em poder do Boko Haram. Testemunhas afirmaram que várias pessoas morreram em decorrência do ataque realizado pelos insurgentes. Segundo o senador Maina Ma;aji, representante da província, ;os soldados nigerianos fugiram, acompanhando parte da população, em direção ao Níger;. ;Não resta um só homem em Damasak. Boko Haram controla a cidade porque todos os homens e as tropas fugiram;, lamentou o parlamentar, em conversa por telefone com a agência France-Presse. Por sua vez, o sultão de Sokoto, líder dos muçulmanos nigerianos, acusou o Exército nigeriano de ;fugir covardemente;. Desde o começo do ano, o movimento islâmico assumiu o controle de 20 distritos nos estados de Borno, Adamawa e Yobe, onde reivindica a instauração de um califado.

Avanço
;Está comprovado que não existe acordo (de cessar-fogo) nenhum;, disse ao Correio Pio Penna, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB). Na avaliação dele, a repressão contra o Boko Haram constitui a única saída para o presidente Goodluck Jonathan. ;O grupo está se radicalizando. O que há para negociar com o Boko Haram? Seria o mesmo que negociar com o Estado Islâmico;, analisa o especialista. ;A Nigéria tem uma estrutura de Estado que permitiria o combate mais efetivo dos radicais. O país fez várias intervenções terrestres em Serra Leoa e em Guiné-Bissau. Na minha opinião, o governo de Abuja responde muito lentamente aos ataques. Parece estar fazendo corpo mole;, conclui.

COLABOROU RODRIGO CRAVEIRO




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