Opositora acusada de tramar assassinato

Opositora acusada de tramar assassinato

postado em 04/12/2014 00:00
 (foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters - 8/6/14)
(foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters - 8/6/14)



A ex-deputada venezuelana María Corina Machado, cassada por suas atividades de oposição ao regime chavista, foi indiciada ontem pelo Ministério Público como participante de um plano conspiratório para assassinar o presidente Nicolás Maduro. Caso seja condenada, María Corina pode cumprir pena de oito a 16 anos de reclusão. O anúncio da Justiça venezuelana não deixa claro, contudo, se ela enfrentará o julgamento em liberdade ou em prisão preventiva. Líder da ala mais radical do bloco antichavista, a ex-parlamentar teve o mandato cassado após tentar denunciar violações de direitos humanos na Venezuela durante uma sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA) ; ela foi incluída no encontro como membro da delegação do Panamá.

Machado se apresentou à sede do Ministério Público acompanhada de outros líderes políticos. ;Todas as acusações são falsas. O que nos resta é lutar e conquistar a democracia;, declarou aos jornalistas, em frente ao Palácio da Justiça. A opositora garantiu que não teme o regime chavista. ;O governo acredita que com esses ataques assustará estudantes, sindicalistas e dirigentes políticos, mas não podemos nos amedrontar;, prosseguiu. ;Se acreditam que vão nos calar com ameaças, com chantagens e com pressões, estão enganados. Não tenho medo. Não podemos ter medo. Somos uma enorme maioria que deseja uma mudança profunda.;

O chefe da equipe de advogados que defende a opositora, Tomás Arias, afirmou ter tido acesso aos documentos produzidos pelo Ministério Público, mas garantiu não haver menção ao crime de magnicídio ; apenas ao de conspiração. No início do ano, em Caracas, María Corina liderou diversos protestos contra o governo de Maduro, alvo de insatisfação por parte da população devido ao aumento da violência e à escassez de produtos básicos nas prateleiras dos supermercados. Na época, as manifestações foram coibidas com violência pelas forças de segurança, desencadeando críticas de entidades defensoras dos direitos humanos. A ex-deputada também promoveu marchas pela libertação do líder oposicionista Leopoldo López, detido desde fevereiro.

Um mês após a cassação da María Corina, em março, o Ministério Público decidiu abrir investigação contra ela. O dirigente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) Jorge Rodríguez, prefeito de Caracas, chegou a revelar o conteúdo de diversos e-mails denunciando uma tentativa da oposição para assassinar o presidente. A líder opositora reconheceu que as mensagens tinham relação com um endereço eletrônico que era seu, mas alegou que já não usava a conta e assegurou que nunca desejou o assassinato de Maduro, mas a renúncia.


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