Água

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Enquanto governadores dos três estados mais populosos do Brasil tentam minimizar a grave falta de água nos sistemas de abastecimento, governo diz que pretende ajudar, além de contar com a ajuda dos céus

» GRASIELLE CASTRO » JULIA CHAIB
postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Euler Junior/EM/D.A Press
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(foto: Euler Junior/EM/D.A Press )

A crise de falta de água enfrentada hoje pelos três estados mais populosos do país é a pior já vista. Desde que a série histórica passou a ser feita, há 84 anos, nunca choveu tão pouco em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. A situação ;completamente atípica;, ;sensível e preocupante;, nas palavras da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, levou o governo federal a reunir representantes de oito ministérios para fazer um diagnóstico dos reservatórios da região Sudeste e preparar medidas de socorro. Apesar da gravidade da situação, a ministra é otimista, pois há previsão de chuvas para os próximos 10 dias: ;vamos ver a quantidade e se caem nos lugares corretos;.

Na expectativa de uma ajudinha de São Pedro, o governo espera que os consumidores poupem água e energia. ;Estamos no período de chuva. Vamos acompanhar e pedir a colaboração de todos para pouparem. É importante poupar água, poupar energia, porque nós precisamos ajudar em uma situação completamente atípica;, ressaltou Izabella. De acordo com a ministra, a Secretaria de Comunicação da Presidência prepara uma campanha de estímulo à população do uso racional de água. ;O número que é apresentado de vazão no afluente, daquilo que chega no Sistema Cantareira, é de cerca de 7 metros cúbicos por segundo. Em condições normais, são 62 metros cúbicos por segundo.;

Ontem, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, anunciou que 50 cidades com sistema autônomo já estão em racionamento e a Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa) fez um apelo para que a população economize pelo menos 30% de água. No Rio, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, disse que havia um plano de racionamento para o estado, caso fosse necessário. Entretanto, em seguida, o governador, Luiz Fernando Pezão, descartou o plano de contingência e somente pediu às pessoas que economizem água. Já São Paulo teve a interligação do reservatório Jaguari-Atibainha ao Cantareira incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A ação foi resultado de um pedido estadual ao governo federal. Izabella Teixeira afirmou que o Executivo não medirá esforços para ações deste tipo, mas fez questão de ressaltar que o governo não é responsável pelas ações de distribuição. Na última quarta-feira, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) informou que os reservatórios da capital não correm o risco de secar.

Previsão
O período de seca que a região Sudeste enfrenta hoje é, para o professor da Universidade de Brasília (UnB) e ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Oscar Cordeiro Netto, excepcional. ;Mas se fosse há 50 anos, não sofreríamos assim;, analisa o engenheiro civil. Segundo ele, um dos fatores que poderia amenizar a situação é justamente o uso racional da água. ;O que já é feito no Nordeste, que está acostumado a conviver com a seca. Lá há uma noção melhor de que a água é um recurso importante e que é preciso usar com parcimônia. Temos que aprender com eles;, acrescenta. O professor, entretanto, acrescenta que é fundamental que se atue no sentido de prever melhor as estiagens e gerenciar as barragens.

Para o professor do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade de Campinas (Unicamp), Hilton Silveira, a crise é resultado da falta de planejamento. ;Faltou pensar no futuro. Quando se criou o Cantareira, havia uma população de 4 milhões de habitantes e hoje estamos com quase 12 milhões. Deveriam ter feito um estudo levando em conta o tamanho da população, a diminuição da água dos rios, a morte das nascentes, uma série de consequências;, avaliou. Silveira critica o fato de somente agora, diante da crise instalada, o assunto estar sendo tratado com mais seriedade.

Contradições brasileiras
Enquanto o governo federal espera por chuvas nos reservatórios, três cidades brasileiras tiveram a situação de emergência reconhecida ontem pelo Ministério da Integração por causa do excesso de precipitações. Segundo nota da pasta, Rio Branco do Sul (PR) é castigada por chuvas intensas enquanto Novo Tiradentes e Uruguaiana, ambas no Rio Grande do Sul, sofrem com as enxurradas. A portaria, publicada no Diário Oficial da União de ontem, permite que as cidades solicitem recursos para reconstrução das áreas atingidas pelos desastres e para o restabelecimento de serviços essenciais.

Estiagem na tevê
A situação da estiagem é tão preocupante que um dos programas de entretenimento da Rede Globo, o Big Brother Brasil, entrou na campanha pelo uso consciente da água. Cada integrante confinado na casa terá o limite de 110 litros de água para usar a cada dia. Quem ultrapassar o teto, estipulado pelo padrão da Organização das Nações Unidas como ideal para cada habitante do planeta, terá a água cortada e só poderá a usá-la novamente no próximo dia.

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