Megatraficante foge do país

Megatraficante foge do país

Marcelo de Oliveira aproveitou as poucas horas em liberdade para deixar o Brasil e, provavelmente, seguir para a Bolívia. Ele é considerado foragido desde que recebeu habeas corpus para sair de presídio goiano

RENATO ALVES
postado em 24/01/2015 00:00
 (foto: Polícia Civil de Goiás/Divulgação)
(foto: Polícia Civil de Goiás/Divulgação)

Apontado como o maior traficante de Goiás e do Entorno, Marcelo Gomes de Oliveira, 35 anos, aproveitou a liberdade concedida pela Justiça Federal para deixar o país. É o que acreditam investigadores da Polícia Civil goiana. O Serviço de Inteligência da corporação busca pistas sobre a localização do criminoso, que está foragido, pois, menos de 24 horas após conseguir o habeas corpus, passou a ter contra si mandados de busca e de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).


Monitoramento feito pelos agentes goianos descobriu que, depois de solto do Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana de Goiânia, Marcelo veio para Brasília. Mas, em vez de ir para casa, no Park Way, onde foi preso em maio do ano passado (leia Memória), ele se hospedou com nome falso em um hotel, onde ficou até às 19h30 de quarta-feira. Ao tomar conhecimento do novo mandado de prisão, desta vez, por um latrocínio (roubo com morte), partiu para o aeroporto da capital, onde teria tomado um voo com destino ao exterior.


Para os policiais goianos ; que preferem não se manifestar publicamente em função das decisões judiciais recentes ; o traficante, provavelmente, seguiu para a Bolívia, onde mantém contatos. As investigações policiais indicaram que ele tinha negócios ilícitos em cidades bolivianas e em Cárceres (MT), na divisa com a Bolívia, um dos maiores produtores de cocaína do mundo. Os advogados do fugitivo não descartam que ele tenha saído do Brasil, mas afirmam desconhecer o paradeiro dele.


O mandado de prisão está no sistema do TJGO. Assim que o pedido é feito, abre-se um processo para investigação e prisão de foragidos. Nesse caso, a delegacia responsável pela investigação e o serviço de inteligência da corporação também trabalham para a prisão do criminoso. A assessoria de Comunicação da Polícia Federal explicou que o nome do foragido só entra no cadastro da Polícia Internacional (Interpol) caso o juiz federal que toma conta do processo o peça ; o que não havia acontecido até a noite de ontem.

Lentidão
Marcelo de Oliveira ganhou a liberdade na noite de terça-feira. A decisão partiu do juiz federal Leão Aparecido Alves, titular da 11; Vara Criminal de Goiânia, que concedeu o alvará de soltura. O motivo não é especificado no documento expedido pelo magistrado. No habeas corpus, ao qual o Correio teve acesso, o juiz argumentou somente que o acusado é réu em dois processos que tramitam na 1; e na 2; Vara de Execução Penal de Goiânia. Um deles, por tráfico de drogas; o outro, por roubo.


A razão para a soltura do traficante, porém, seria a demora no julgamento, que pode ter ocorrido por diversos fatores. Entre eles, pelo documento ter sido remetido, inicialmente, à cidade de Parnaíba (PI). A defesa chegou a pedir que o acusado cumprisse pena no município piauiense, mas, como ele nunca havia cumprido nenhuma sentença na Região Nordeste, o pedido foi negado. Os documentos, então, seguiram para a comarca de Itaberaí (GO). Só depois foram para Goiânia.


Preso em 9 de maio, Marcelo permaneceu à disposição da investigação policial até 29 de julho, quando foi encaminhado para o presídio de Aparecida de Goiânia. O caso transcorreu na Justiça goiana até 31 de outubro, mas foi remetido à Justiça Federal depois de o crime cometido por ele ser tipificado como tráfico internacional.


O primeiro despacho listado no site do Tribunal Regional Federal da 1; Região, em Brasília, só consta em 26 de novembro. Desde então, o processo teve 18 atualizações. Das três últimas, aparecem informações sobre a decisão de soltura. Ao deixar a cadeia, três veículos esperavam Marcelo. Todos de luxo, sendo dois Mercedes-Benz escuros e blindados. Ele foi acompanhado por dois advogados, sócios de Janderson Silva, que estava em viagem. Ele informou que o cliente foi trazido para Brasília. Marcelo responde a outros processos na Justiça goiana, alguns em segredo.

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