Modistas modernas

Modistas modernas

Cada vez mais raras, costureiras que reproduzem vestidos de alta-costura são disputadas por exigentes clientes. Das mãos delicadas dessas profissionais, modelos de revistas ganham um toque de exclusividade

postado em 27/05/2015 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)




Elas costuram porque gostam de fazer roupas. O trabalho sob medida de algumas costureiras de Brasília não é uma cópia nem uma réplica. Apesar de os modelos virem das grandes marcas, elas dão um toque especial e exclusivo ao look. As profissionais que ainda fazem alta-costura estão cada dia mais difíceis de encontrar. Quando uma cliente as descobre, não quer nem comentar com as amigas o segredo. O trabalho é impecável. As linhas são alinhavadas com cuidado. Os brilhos colocados no ponto certo realçam o corpo da mulher. E, assim, a moda de luxo torna-se acessível por meio das mãos delicadas dessas modistas.

Nas revistas de moda, a cada página, surge um vestido mais bonito que o outro. Mas o valor torna-os distantes da realidade da maioria das mulheres. Nessa hora, as costureiras sob medida ajudam a democratizar o desejo da roupa perfeita. ;Ao contrário das profissionais que fazem consertos e podem ter uma demanda maior, a satisfação do meu trabalho é ver a cliente saindo daqui (ateliê) com o vestido que sonhou. Determinadas peças precisam de delicadeza, são muito artesanais e demandam mais tempo;, afirma a costureira Demi Miranda, 55 anos.

Apaixonada pela costura desde os 16 anos, Demi começou fazendo as próprias roupas e as peças da família. Veio da Bahia para Brasília acompanhar o filho, que passou no vestibular, e na capital abriu o ateliê na Asa Norte. Ela atende formandas, madrinhas, noivas, mães de noivas, damas de honra e também faz as peças mais casuais. ;Sempre procuro seguir rigorosamente o modelo que as clientes trazem. Os vestidos de noiva, pego com pelo menos seis meses de antecedência e os demais, com dois;, explica. Além de um cuidado personalizado, o trabalho de quem faz alta-costura tem a vantagem econômica. Segundo Demi, vestidos como o da estilista Patrícia Bonaldi, que custam, em média, R$ 7 mil, podem ser reproduzidos por um preço de 40% a 50% menor.

Para essas costureiras, o acabamento das peças precisa ser impecável. É necessário haver um cuidado especial com cada detalhe. A respeito disso, Demi ressalta a importância de avaliar o biotipo da pessoa, o tecido usado e o modelo da peça. ;Meu foco está no acabamento e no gosto da cliente. Tento mostrar para ela a importância desses fatores em conjunto;, comenta. Demi conta ainda que as mulheres escolhem pelo gosto e não costumam se atentar ao nome do estilista. Outro requisito determinante desse trabalho é a pontualidade. Cumprir prazos passa segurança ao consumidor.

Exclusividade


Pelas ruas de Brasília, nas entrequadras e nas comerciais, é comum encontrar costureiras que fazem pequenos ajustes, como apertar uma roupa ou fazer a barra de uma calça. As modistas que fazem peças sob medida são raras e nem todos os ateliês atendem à demanda. ;Esse tipo de serviço sempre existiu. Uma cliente vai passando a indicação para outra. Nunca trabalhei com propaganda. Atendo a mesma mulher há seis anos. Mas, ultimamente, elas querem me monopolizar. Estão deixando de indicar para manter a exclusividade;, revela Maria da Glória Lima, 36 anos.

A modista trabalha com linhas e agulhas desde os 15 anos. Nascida no Piauí, aprendeu o ofício com a ;tia Joana, dona de uma loja de aluguel;, e veio de uma família de mulheres que atuavam na mesma profissão. Na capital, trabalhou em um ateliê, fez um ano do curso de moda e abriu o próprio espaço no Sudoeste. ;Gosto de fazer roupa, mas com a minha cara. O meu jeito de costurar é sempre buscando melhorar as peças, por mais que sejam de marcas renomadas. O que minhas clientes gostam é do corte. Gosto de fazer roupa modelada e que realce as curvas da mulher brasileira.;

Na opinião de Maria da Glória, o mais difícil é encontrar o tecido perfeito. Às vezes, ela chega a ir a Goiânia para encontrar o mais parecido com o modelo desejado pela cliente. ;Mesmo sabendo que vai ser uma réplica, elas querem igual, e nas lojas nem sempre tem o tecido exato da foto;, explica. Ela afirma que não deixa de expressar sua opinião. ;A gente não pode ludibriar o cliente. Temos que explicar aquilo que fica melhor. Mas também temos que lidar com as vontades e as teimosias.; Para ela, vale unir as ideias do estilista do modelo, da cliente e da modista.

O desejo por um atendimento exclusivo é a razão da grande procura por esse tipo de serviço. A expectativa por uma roupa que fuja do habitual motiva as mulheres a procurarem as profissionais da alta-costura. Leila de Sousa Aranha, 54 anos, é psicóloga e cliente de Demi. Para ela, ter um vestido diferenciado por um valor justo é o mais recompensador. ;As peças feitas sob medida caem muito bem e sempre superam as nossas expectativas. Elas ficam do jeito que a gente idealiza;, detalha. Leila é uma das mulheres que valorizam a delicadeza do trabalho das modistas que transformam o luxo em algo acessível.

Os três passos do sucesso

Antes de confeccionar a roupa dos sonhos, é preciso avaliar:

; O biotipo da pessoa
; O tecido
; O modelo do vestido

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