A passos lentos

A passos lentos

Um mês após prisões de dirigentes da Fifa, incluindo o ex-presidente da CBF José Maria Marin, investigações no Brasil seguem estagnadas. Prazo para pedido dos EUA por extradição vence na próxima semana

postado em 27/06/2015 00:00
 (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP - 19/8/14
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(foto: Yasuyoshi Chiba/AFP - 19/8/14 )

Perto do fim do prazo para que os norte-americanos peçam a extradição de dirigentes da Fifa em Zurique, na Suíça ; presos por acusações de corrupção, fraude e lavagem de dinheiro ;, o caso completa um mês com atuação severa das autoridades estrangeiras e investigações paralelas sobre o escândalo no Brasil sem resultados. Enquanto a justiça suíça veta liberdade condicional aos detidos e os Estados Unidos sinalizam que vão pedir a extradição dos dirigentes para julgamento, no ;país do futebol; nem CPI do Congresso saiu do papel.

Tudo indica que a justiça norte-americana, responsável por deflagrar o escândalo da Fifa no mês passado em Zurique, às vésperas da eleição da entidade, pedirá a extradição dos dirigentes da Fifa, entre eles o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin, para os Estados Unidos na próxima semana, pois o prazo para o requerimento oficial termina em 3 de julho.

Isso não significa, porém, que o processo esteja perto do fim. A Suíça terá um prazo, de cerca de 30 dias, para fazer traduções do provável pedido e, depois, o Departamento de Justiça de Berna ainda vai decidir se é favorável ou não à extradição dos presos. Mesmo após todo esse processo, a possibilidade de os detidos apresentarem recursos é alta, o que pode arrastar o imbróglio para meados de setembro.

Até lá, os mandatários seguirão presos. Ontem, o Tribunal Superior da Suíça negou pedido, de Eugênio Figueredo, ex-presidente da Conmebol, para aguardar uma possível extradição em liberdade condicional. A decisão é um balde de água fria para todos os detidos, como Marin. O uruguaio alegou saúde frágil e propôs uma série de condições para tentar convencer as autoridades locais, como entregar o passaporte, usar equipamento eletrônico de localização e permanecer na casa de amigos no país. Mas as desculpas não convenceram. Um médico constatou que Figueredo está em condições de permanecer na prisão e o Tribunal negou o pedido alegando risco de fuga.

CPI

Mesmo na América do Sul, o escândalo da Fifa tem tido consequências. A Justiça do Uruguai embargou nove propriedades do ex-presidente da Conmebol ; que somam US$ 5 milhões, segundo a imprensa local. O pedido partiu do Ministério Público do país, que investiga irregularidades nos direitos de transmissão de campeonatos sul-americanos.

No Brasil, nenhum resultado concreto foi apresentado. Após o escândalo, a Polícia Federal e o Ministério Público abriram inquéritos para apurar a corrupção do futebol no país, mas, até agora, as únicas ações anunciadas foram apreensões de documentos na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e em empresa ligada à entidade.


A CPI da CBF do Senado, organizada pelo senador Romário (PSB-RJ), sequer saiu do papel. A comissão está emperrada pela falta de indicações de dois membros. Os nomes pertencem ao Bloco da Maioria ; PMDB e PSD ;, mas, como adiantado pelo Correio, o senador Eunício de Oliveira, líder do Bloco, só apresentará as indicações após um encontro com o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa.

A questão é que os dois partidos têm direito sobre a presidência e a relatoria da CPI. Autor do requerimento para a instalação da comissão, Romário, que é de outro partido, o PSB, já pediu para ser relator.

;Da nossa parte, nós temos um pré-acordo com o senador Romário para indicá-lo para uma dessas duas posições. Vamos aguardar qual é a preferência do PMDB;, explicou o senador Humberto Costa.

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Data em que acaba o prazo dos EUA para pedir oficialmente à Suíça a extradição dos presos

Memória
Em 27 de maio, o FBI, em parceria com a polícia da Suíça, prendeu sete dirigentes da Fifa em um hotel de Zurique, às vésperas da eleição para presidente da Fifa. No total, 14 pessoas foram indiciadas por acusações de corrupção no futebol, como compra de votos pela escolha de sedes da Copa do Mundo.

Blatter diz que não renunciou

Em 2 de junho, o discurso do atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, de que convocaria novas eleições para a entidade, após ter sido reeleito em meio ao maior escândalo de corrupção do futebol, pode ter sido ;mal interpretado;. Agora, o mandatário nega que tenha renunciado e diz que se mantém no cargo até as próximas eleições, agendadas para dezembro.

;Não renunciei, só coloquei a mim e ao meu escritório nas mãos do Congresso da Fifa;, disse Blatter, durante cerimônia do museu da Fifa, na última quinta-feira, segundo o jornal suíço Blick. ;Decidi abrir mão do meu mandato por um congresso extraordinário para nova eleição. Continuarei exercendo minhas funções como presidente da Fifa até a eleição;, avisou.

De fato, no discurso em que anuncia que não exercerá seu quinto mandato até o fim, Blatter não usa a palavra ;renúncia;. Especula-se que a estratégia de negar uma saída sem prestígio é parte de uma campanha do cartola para eleger um protegido e perpetuar seu grupo no poder da Fifa. Jérôme Valcke seria o substituto natural do suíço, mas teve seu nome envolvido em investigações. Apesar de sofrer com a opinião pública desde que a Justiça dos Estados Unidos deflagrou esquema de corrupção na Fifa, Blatter, ao menos por enquanto, não foi indiciado.

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