Filmes que fazem pensar

Filmes que fazem pensar

Por Maria Paula
postado em 13/09/2015 00:00

Tenho ido bastante ao cinema, sempre gostei do escurinho das salas de projeção, mas, de uns tempos pra cá, esse tem sido realmente meu programa favorito.

Dos últimos filmes aos quais assisti, alguns achei bem divertidos, como Não olhe para trás, com o maravilhoso Al Pacino... Outros me fizeram rir, como Que mal eu fiz a Deus. Alguns me fizeram chorar, como A dama dourada... Mas os que mais me deram a sensação de ter valido a pena sair de casa foram os que me fizeram pensar!

Adeus à linguagem, de Godard, me causou tamanho estranhamento, que, no meio do filme, comecei a achar chato, fiquei com sono, enfim, me senti incomodada... Mas depois que acabou e fui pra casa, não conseguia pensar em mais nada. As frases aparentemente soltas que apareciam durante o filme começaram a fazer todo o sentido. As imagens cortadas, repetidas, sobrepostas entraram em sincronia perfeita com minha mente, que já não era mais a mesma que havia entrado no cinema horas antes.

Em alguma cena solta, é dito que a palavra ;câmera; e a palavra ;prisão;, em russo, são a mesma. Fiquei pensando em todos os momentos aprisionados nas câmeras de todos os celulares durante um show, por exemplo... Parece que ninguém mais quer curtir a música que está sendo feita e, sim, ter certeza de que aquele momento ficará disponível a elas para sempre. Mesmo que a gente nunca mais veja aquelas fotos, nos tornamos incapazes de curtir o momento mágico livres da obsessão de capturá-lo em nossas câmeras. Interessante, triste, assustador...

Muitas outras reflexões estão ainda se formando em minha mente. Sinto que preciso ir de novo ao cinema ver esse filme!

Outros dois filmes me fizeram pensar bastante também: Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, que, além da atuação primorosa de Regina Casé, abre a discussão do papel fundamental que as empregadas domésticas desempenham na vida da família burguesa brasileira... E, por fim, tem o imperdível Jimmy;s Hall, do irlandês Ken Loach. O filme mostra a deportação de Jimmy Gralton, que liderou o grupo de trabalhadores revolucionários, precursores do partido comunista irlandês. O intelectual libertário acabou sendo perseguido, caçado, capturado e deportado para os Estados Unidos da América. Um filme primoroso, com uma sensibilidade rara. Engraçado, triste, divertido, alegre, intrigante. Um sopro de ar puro em meio a tanta pseudoarte descartável que reproduz, com mau gosto, cenas intermináveis de violência, vulgaridade e pornografia.

Se tiver a chance de assistir a algum desses filmes, não perca a oportunidade... E, se possível, me escreva depois, contando o que achou.

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