Alta da gasolina pesa no bolso

Alta da gasolina pesa no bolso

MARIANA AREIAS ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 02/10/2015 00:00
 (foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press )


Os consumidores que se assustaram com o preço do combustível nos últimos dias podem preparar o bolso. É possível que, ainda hoje, a gasolina chegue a R$ 3,70. Segundo o gerente de um posto de abastecimento em Taguatinga, Carlos Xavier, 45 anos, o aumento não causou susto, apenas indignação. ;O acréscimo já era esperado pelos consumidores, e estamos sentindo queda no movimento;, afirmou.

Os motoristas já estão buscando estratégias para diminuir o impacto da alta no orçamento familiar. ;O transporte público é péssimo, mas tenho que recorrer a ele para tentar fugir do aumento da gasolina;, disse o mecânico Carlos Fernando, 65 anos. O contador Eduardo Demétrio, 37, cogita a possibilidade de utilizar transportes alternativos. ;Ainda dá para pagar gasolina e não utilizar transporte público, mas, se esses aumentos continuarem, vai ficar difícil manter o carro;, afirmou.

A alta não afeta apenas os motoristas. Microempresários tiveram que reajustar os preços em seus comércios para sustentar o gasto mensal com combustível. Paulo Bezerra, 38, dono de um restaurante na Asa Norte, afirmou ter aumentado o preço dos pratos. ;Meu trabalho exige que eu utilize carro, vou a muitos lugares, às vezes distantes um do outro, em uma mesma tarde. A forma que encontrei para manter essa rotina é elevar em R$ 1 o valor do quilo da refeição;, lamentou.

Josemir Batista, 53, passa por situação parecida. Também dono de restaurante, ele afirma que, em breve, precisará aumentar os preços para conseguir manter as contas em dia. ;Com o preço antigo da gasolina, eu gastava R$ 60 por dia. Agora, gasto R$ 80, e está ficando complicado.; Josemir disse que utiliza o carro somente para trabalhar, e que não há como optar por meios de transporte alternativos. Além disto, o empresário evita utilizar o carro em seu período de folga. ;Nem uso carro mais nos fins de semana. Preparei uma casa com todo o lazer de que preciso para não ter que sair;, afirmou.

Os últimos aumentos de combustíveis fizeram muitos brasilienses modificar estilos de vida e buscar alternativas para sustentar as contas no fim do mês. ;Procuro diminuir o uso do carro o máximo possível. Tento me planejar para fazer tudo de uma vez e não ficar saindo toda hora;, disse o gerente Aloisio dos Santos Junior, 35 anos, enquanto abastecia o veículo em um posto da Asa Norte. A também gerente Polyanne Braga, 32, afirmou que deixou de viajar de carro a cada dois meses, como costumava fazer. ;Meu bolso não aguenta;, resumiu. A rotina familiar da esteticista Neide Costa, 36, também mudou. ;Deixo de gastar com os meus filhos, com passeios e lanches, para comprar gasolina;, lamentou.

O etanol também subiu de preço nos últimos dias e deixou de ser uma alternativa para fugir dos valores elevados da gasolina. ;Não vale a pena abastecer com álcool. No fim das contas, o gasto fica maior;, afirmou o frentista Augusto Freitas, 42. Em um posto no Setor de Indústrias Gráficas, o litro do produto era vendido por R$ 2,79, o equivalente a 77% do valor da gasolina, que estava em R$ 3,59. Segundo especialistas, para que a troca compense, é necessário que essa relação não passe de 70%, já que motores com álcool consomem 30% a mais, em média. Produtores têm pressionado o governo para aumentar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina com o objetivo de elevar a competitividade do etanol.


;Procuro diminuir o uso do carro o máximo possível. Tento me planejar para fazer tudo de uma vez e não ficar saindo toda hora;
Aloisio dos Santos Junior, gerente

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