Amigo de Lula é convocado na CPI

Amigo de Lula é convocado na CPI

» JOÃO VALADARES
postado em 13/11/2015 00:00
 (foto: Gabriela Bilo/Estadão Conteúdo)
(foto: Gabriela Bilo/Estadão Conteúdo)



O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades em contratos e financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O requerimento que pedia sua convocação foi aprovado durante sessão do colegiado realizada na manhã de ontem. Também foram acertados os depoimentos do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, e de representantes da empresa do setor siderúrgico Usiminas.


O empresário Eike Batista será ouvido na próxima terça-feira. O presidente da CPI, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM), informou que, caso o empresário não compareça, a Polícia Federal será acionada para que ele preste depoimento ;ainda que seja de forma coercitiva;. Advogados do Eike informaram que o empresário, que deveria chegar ontem ao Brasil, estendeu sua viagem internacional. Ele havia sido convocado para a audiência realizada nesta quinta-feira.


Os integrantes da CPI querem que Bumlai esclareça alguns pontos sobre contratos firmados com o BNDES. Há suspeitas de tráfico de influência e favorecimento. Outro assunto que deve ser abordado é o teor da delação premiada de Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como o homem do PMDB dentro do esquema de corrupção da Petrobras. A sigla nega.


Baiano confirmou, por exemplo, que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu subornos pela venda de dois navios-sonda da Samsung para a Petrobras. A acusação já havia sido feita anteriormente pelo operador Júlio Camargo, outro colaborador da Polícia Federal e do Ministério Público. De acordo com o novo delator, uma parte dos valores foi paga em espécie a Cunha, entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão. Baiano disse ainda que pagou R$ 2 milhões ao pecuarista José Carlos Bumlai.


O Instituto Lula nega qualquer interferência do ex-presidente em contratos para favorecer Bumlai. Alega que o petista ;jamais autorizou que Bumlai ou qualquer pessoa utilizasse seu nome em qualquer espécie de lobby;.


O presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza, e o presidente do Conselho de Administração da empresa, Marcelo Gasparino da Silva, terão de explicar aos parlamentares da CPI as demissões na unidade de Catalão (SP), mesmo após o recebimento de recursos do banco.

Mantega

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10; Vara Federal de Brasília, autorizou, no âmbito da Operação Zelotes da Polícia Federal, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A operação investiga fraudes em julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. O esquema investigado, de acordo com a PF, consistia em pagamento de propina para integrantes do Carf com o objetivo de anular ou reduzir débitos tributários de empresas com a Receita Federal.







Assessor de Palocci sob suspeita
O pagamento de R$ 2 milhões feito pelo doleiro Alberto Youssef, em 2010, é o caminho que a Operação Lava-Jato trilha para chegar ao suposto uso de dinheiro de propina na campanha da primeira eleição da presidente Dilma Rousseff. O pagamento envolveria um pedido do ex-ministro Antonio Palocci, que foi coordenador da campanha presidencial do PT, e o ex-assessor especial da Casa Civil Charles Capella de Abreu. Youssef detalhou em novo depoimento prestado à Polícia Federal em 29 de outubro o pagamento que fez em dinheiro vivo no Hotel Blue Tree, na Faria Lima, em São Paulo, a um emissário que ele não sabe dizer quem era. A suspeita dos investigadores recai sobre Charles Capella de Abreu.





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