Risco já precificado na bolsa

Risco já precificado na bolsa

» ALESSANDRA AZEVEDO Especial para o Correio
postado em 17/12/2015 00:00
 (foto: Edgar Su/Reuters - 12/11/14)
(foto: Edgar Su/Reuters - 12/11/14)



Após operar em queda durante a maior parte do pregão, a Bolsa de Valores de São Paulo (BM) se recuperou das turbulências e fechou ontem em alta de 0,32%, a 45.015 pontos, No começo do dia, puxou a bolsa para baixo a possibilidade de saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda. O rumor voltou à tona após a meta de superavit primário de 2016 passar de 0,7% para 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), decisão que contrariou a expectativa do ministro.


O recuo na bolsa se intensificou no início da tarde, com a notícia da perda de grau de investimento do Brasil pela agência Fitch. O segundo rebaixamento do ano, após a Standards & Poor;s ter tomado a mesma decisão em setembro, levou o Ibovespa, principal índice da bolsa, à mínima do dia, de 44.095 pontos, queda de 1,76%.


Apesar da tensão, os mercados se acalmaram no fim do dia. Como os investidores já contavam com o rebaixamento por uma segunda agência ainda este ano, a decisão da Fitch acabou aliviando as especulações sobre o assunto. ;Para nós, não foi surpresa. Falamos sobre essa probabilidade, que efetivamente acabou acontecendo. Isso já era intuído, por isso os mercados pouco reagiram;, afirmou o economista-chefe do Home Broker Modalmais, Álvaro Bandeira. Assim como o impacto do rebaixamento, a expectativa de saída de Levy se dissipou ao longo do dia.

Dólar

Em sintonia com os eventos de ontem, o dólar fechou cotado a R$ 3,925, em alta de 1,24%. Durante a tarde, a moeda norte-americana bateu em R$ 3,95. ;Enquanto o cenário interno deu o tom das oscilações ao longo do dia, o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos pesou no fechamento;, explicou o economista-chefe da Opus Investimentos, José Márcio Camargo. Após nove anos, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, aumentou os juros dos empréstimos de curto prazo em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 0,25% e 0,5% ao ano.


Apesar de já ter sido antecipada pelo mercado, a decisão afetará o mercado brasileiro. A alta gera aumento de fluxo de capital para a economia norte-americana e consequente queda de investimentos nos países emergentes. ;No Brasil, o efeito negativo é agravado pelo cenário doméstico incerto, com o país em recessão econômica e deficit público grave;, contextualizou Camargo. O economista-chefe da Opus Investimentos acredita que o dólar deve valorizar ainda mais nos próximos dias, podendo voltar à marca de R$ 4.






Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação