Crime ataca pai e filho na escola

Crime ataca pai e filho na escola

Trio de bandidos rende pai e filho em estacionamento interno de colégio da 913 Sul e foge com veículo, dinheiro, celular e relógio. O crime ocorreu logo no início da manhã, assim que as vítimas chegaram ao local

» THIAGO SOARES
postado em 17/06/2016 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)




Nada impede a ação de bandidos, nem mesmo a movimentação característica da entrada de alunos nas escolas. No início da manhã de ontem, pai e filho se tornaram vítimas de dois bandidos supostamente armados quando chegavam a um dos estacionamentos internos do Colégio Maria Montessori, na 913 Sul. A ação foi rápida o suficiente apenas para o pai conseguir retirar a criança de 10 anos do Renault Fluence ; os assaltantes fugiram com carro, relógio, celular e carteira. Casos como esse têm se tornado recorrentes. De janeiro a maio, 2.341 veículos foram roubados no Distrito Federal. O aumento é de 5,8%, na comparação com o mesmo período de 2015, quando 2.212 carros acabaram levados em assaltos à mão armada.

O caso ocorreu por volta das 7h. As câmeras do circuito de segurança captaram o crime, mas a equipe de vigilância do colégio não percebeu o roubo. A vítima, de 50 anos, havia acabado de chegar ao local. Os bandidos estavam em um Ônix e tiveram acesso ao mesmo espaço onde os pais param o carro para desembarcar os filhos. Ao verem pai e filho, dois deles se aproximaram do Fluence. Um terceiro ladrão ficou no outro veículo, enquanto os outros fizeram a abordagem. Um deles bateu no vidro, e o pai imaginou que se tratava de um funcionário alertando sobre alguma imprudência de trânsito. Mas o bandido anunciou o assalto, sem mostrar a arma.

A ação durou menos de cinco minutos. Os criminosos ainda deixaram o menino de 10 anos abrir o porta-malas do veículo para pegar o material escolar. Depois disso, um deles assumiu a direção, levando o Fluence e objetos de valor. Quem chegava ao local se assustou no momento em que os criminosos saíram em velocidade. Em nota enviada aos pais dos alunos, o Colégio Maria Montessori lamentou o ocorrido e disse ter prestado apoio às vítimas. ;A instituição de ensino garante que, em 45 anos, esta é a primeira vez que esse tipo de situação acontece nas dependências do colégio. Estamos investindo em segurança e, além de câmeras de monitoramento em tempo integral, atualmente a instituição conta com 18 seguranças, 24 horas por dia;, ressaltou.

O crime ocorreu em um dos estacionamentos na área do Maria Montessori. Não há cancelas ou portões para alcançar o local. assim, qualquer um pode parar o veículo ali. Por causa disso, a escola busca uma forma de restringir o acesso ao espaço, também usado pelo Colégio Olimpo e por igrejas. ;A intenção da instituição é conseguir uma autorização da Administração Regional de Brasília para colocar uma cancela no estacionamento e controlar a entrada de veículos no local. Dessa forma, apenas as pessoas cadastradas no sistema e portando crachás terão acesso aos estacionamentos;, concluiu a nota.

O crime é investigado pela 1; DP (Asa Sul) como roubo de veículo. As imagens do circuito de segurança foram entregues aos investigadores. ;As nossas equipes estão trabalhando para solucionar o caso. Por enquanto, as informações são poucas, mas vamos ouvir nos próximos dias as vítimas para saber mais detalhes que possam ajudar na busca dos bandidos;, ressaltou o chefe da unidade, Alexandre Gratão.

Estacionamentos

Os estacionamentos de escolas têm se tornado alvos dos bandidos. Em maio, o Correio publicou reportagem alertando sobre essa modalidade, principalmente em colégios do Plano Piloto. Contabilizando todos os casos de roubos de carro na região central de Brasília, de janeiro a março, 67 condutores acabaram assaltados, contra 115 no ano passado. A Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social explica que este é um dos seis crimes contra o patrimônio monitorados de forma prioritária pelo órgão.

Para o presidente da Associação de Pais e Alunos de Instituições de Ensino (Aspa-DF), Luís Cláudio Megiorin, há uma incoerência entre o número de policiais nas ruas, as vagas nas penitenciárias e as leis que beneficiam infratores. ;Essa violência não surgiu do nada. Nós observamos o número de reincidentes, beneficiados por saidões, condicionais etc. Acrescentamos o deficit no efetivo, então, estamos à mercê dessa violência;, diz.

A Secretaria de Segurança ressalta a importância do registro das ocorrências. ;É a partir delas que se elabora as manchas criminais, que indicam dias, horários e locais de maior incidência dos crimes. O estudo orienta os trabalhos da PM e da Polícia Civil;, destaca. O órgão informou que a PM reforçou o policiamento ostensivo no DF, com 800 policiais a mais nas ruas.


Memória


Assassinado na porta do colégio



Em 2 de fevereiro, o servidor público federal Eli Roberto Chagas, 51 anos, morreu em frente ao Colégio Rogacionista, na QE 38 do Guará 2. Ele esperava os filhos, quando foi abordado por um bandido armado. O criminoso entrou no veículo dele, um Toyota Corolla 0km, retirado horas antes da concessionária. Os dois permaneceram no carro por menos de 40s. Antes de fugir com o automóvel, o assaltante disparou quatro vezes. Dois tiros atingiram a vítima, que morreu no local (foto). O criminoso fugiu com o veículo e o abandonou cinco horas depois, no Setor de Oficinas Sul. Em abril, o Tribunal do Júri do Guará condenou ontem os três acusados de participação no crime. Filype Espíndola de Azevedo foi sentenciado a 34 anos e 3 meses de prisão. Milton Espíndola de Azevedo recebeu a pena de 27 anos e 4 meses, mesma sentença dada a Márcio Marçal. Os réus respondiam por associação para o crime, latrocínio e roubo de veículos. Antes da condenação, 12 testemunhas prestaram depoimento. Filype havia confessado o crime. Contou que, ao abordar a vítima, pediu que ela corresse dali, o que não aconteceu. Com medo de uma reação de Eli, atirou.

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