"A democracia está em jogo", diz Obama

"A democracia está em jogo", diz Obama

Em comício pró-Hillary, presidente alerta que país tem "tudo a perder", caso Trump ganhe eleições. Governador de Utah retira apoio ao republicano

postado em 15/10/2016 00:00
 (foto: Jeff Swensen/AFP)
(foto: Jeff Swensen/AFP)



;Come on, man!” (;Vamos, cara!”). Por duas vezes, o presidente norte-americano, Barack Obama, pronunciou essa frase ao se referir ao magnata Donald Trump, durante comício a favor da democrata Hillary Clinton, em um aeroporto regional de Cleveland (Ohio). Foi um desabafo e um gesto de incredulidade ante as posições do candidato do Partido Republicano. Obama alertou que a própria democracia estará em questão nas eleições de 8 de novembro. ;A civilidade está em jogo nesta eleição. A tolerância está em jogo. A cortesia está em jogo. A igualdade está em jogo;, advertiu o chefe de Estado. ;Todo o avanço que conseguimos nos últimos anos está em jogo. (;) A própria democracia está em jogo nas urnas.;

Obama classificou Trump de ;um cara que gastou todo o tempo tentando convencer todo mundo de que ele era uma elite global;. ;Falar sobre quão grandes são seus prédios, quão luxuoso e quão rico ele é e voar por toda a parte. Durante todo o tempo, ele foi celebridade e, agora, repentinamente, age como se houvesse um populista ali. Eu vou lutar pelas pessoas que trabalham;, disse o presidente. ;Donald Trump ameaça prender seus opositores políticos. Ou calar a imprensa. Ele celebra a ingerência dos russos no nosso processo eleitoral. Esse é alguém que... agora está sugerindo que, se a campanha não transcorrer como ele quer, não é por causa de todas as coisas que ele disse, mas porque a eleição é fraudulenta e uma farsa. Vocês sabem... Alguns países funcionam assim, e são tiranias que praticam a opressão. (;) O argumento principal de Donald Trump é: ;O que vocês têm a perder?; A resposta é: tudo;, continuou Obama.

Enquanto Obama intensificava o apoio à ex-secretária de Estado, Trump seguia enfrentando o seu inferno astral. Segundo o jornal The New York Times, vários doadores ;generosos; da campanha do magnata pediram ao Comitê Nacional Republicano que repudie Trump. ;Vocês têm que olhar no espelho e reconhecer que possivelmente não podem justificar o apoio a Trump para suas crianças ; especialmente suas filhas;, declarou ao NY Times David Humphreys, um executivo do Missouri que desembolsou US$ 2,5 milhões na campanha republicana de 2012 e se recusou a apoiar Donald Trump. Ontem, o governador de Utah, Gary Herbert, e o congressista Jason Chaffetz ; ambos mórmons e republicanos ; também retiraram o apoio ao magnata.

Denúncia
Em entrevista ao Post, a fotógrafa Kristin Anderson, 46 anos, acusou Trump de abuso sexual, supostamente cometido no início dos anos 1990, em uma boate de Manhattan. Ela relatou que o republicano colocou a mão dentro de suas calças e tocou-lhe a vagina. Kristin garantiu que jamais tinha conversado com Trump antes do fato. Hope Hicks, porta-voz da campanha republicana, disse à tevê CNN que a declaração da mulher era uma ;total invenção;. ;É ilógico e sem sentido pensar que Trump estivesse sozinho na boate e que o suposto incidente tenha passado despercebido, tanto pela mulher envolvida, quanto por qualquer pessoa neste local lotado.;


;Nem sei quem elas são;

Antes mesmo de mais um capítulo do escândalo sexual, Donald Trump tentou manter distância das denúncias. ;Eu mesmo nem sei quem são essas pessoas. É uma vergonha;, declarou, na quinta-feira. Trump acusou a imprensa de se unir contra ele. ;Antes do fim do dia, provas serão tornadas públicas para pôr essas alegações em xeque;, prometeu o vice da chapa republicana, Mike Pence.


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