Seu bolso

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Trabalho temporário é chance de obter renda e pode facilitar ingresso no mercado

» HAMILTON FERRARI* » MARLLA SABINO*
postado em 04/12/2016 00:00
Oportunidade de fim de ano

Conseguir uma vaga de trabalho temporário é uma oportunidade para muitos brasileiros que não querem passar o fim de ano com o bolso vazio. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o varejo deve contratar 135,3 mil trabalhadores para atender ao aumento das vendas de fim de ano. O maior número de postos se concentra nas lojas de vestuário e calçados, mas o setor de hiper e supermercados também oferecerá boas chances para quem está atrás de um emprego, ainda que por período determinado.

Devido ao agravamento da crise, o número de vagas ofertadas neste ano será menor que o de 2015. Apesar disso, muitas empresas ainda vão contratar trabalhadores. A presidente da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem), Márcia Constantini, explica que as contratações normalmente começam em outubro, época em que as indústrias aumentam o quadro de mão de obra para suportar a maior demanda do comércio, mas as lojas ainda estão anunciando vagas, e é importante que o candidato se prepare para as seleções.

;O grande foco são as vagas no varejo. O momento é de vender o que já foi produzido;, argumenta Márcia. Ela ressalta que, por conta do desemprego elevado, o número de pessoas à procura dessas oportunidades aumentou. ;Elas enxergam no trabalho temporário uma chance de retornar ao mercado e de ter uma renda fixa;, observa. Com isso, a concorrência também cresceu e há candidatos qualificados interessados nas vagas. A presidente da Asserttem destaca, no entanto, que o momento é oportuno para os que querem ter uma primeira experiência de trabalho. ;Mesmo que a pessoa não seja efetivada, depois ficará mais fácil conseguir outro emprego. É uma excelente alternativa para jovens que nunca trabalharam;, aconselha.

Perfil

Muitos brasileiros agarram as vagas temporárias para serem efetivados na empresa, como aconteceu com o estudante Lucas Almeida, 23 anos. Em 2014, ele foi contratado para trabalhar durante um mês em uma rede de lojas de departamentos. Após o período, foi efetivado como funcionário e permaneceu dois anos no emprego.

;Eu ajudava nas contas de casa e conseguia ter meu próprio dinheiro;, conta Lucas. O estudante deixou o trabalho para poder se dedicar à faculdade, mas continua procurando vagas de fim de ano com o objetivo de conseguir um dinheiro extra no período de festas. ;Eu já trabalhei em outras lojas no shopping e, se não fosse pela faculdade, estaria lá até hoje. Conhecer a empresa e o serviço antes de ser contratado é uma oportunidade para saber se vale a pena ou não atuar nesse ambiente;, avalia.

A disponibilidade de dias e horários pode ser um fator determinante na hora de o empregador decidir quem ocupará as vagas, pois o varejo funciona em turnos maiores na proximidade das festas de fim de ano. Além disso, ressalta Márcia Constantini, a preferência é por pessoas com perfil adequado ao varejo. ;O relacionamento com os colegas e o bom atendimento ao cliente são extremamente importantes. Tem que gostar de vender, ser dinâmico;, analisa.

Direitos


Quem quiser se candidatar a uma das vagas que vão abrir neste fim de ano deve saber que o trabalhador temporário tem quase todos os direitos e benefícios assegurados a um funcionário contratado pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como explica Ronaldo Tolentino, advogado trabalhista. ;Acredito que seja a maneira mais simples de a empresa fazer a contratação. A empresa não precisa de uma agência terceirizada para fornecer a mão de obra, nem de acordos com sindicatos, como em outras formas existentes;, observa.

Entre os benefícios garantidos, estão salário equivalente ao dos empregados que desempenham funções similares; registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social, na condição de trabalhador temporário; jornada diária de oito horas, com direito a remuneração por horas extras trabalhadas; férias e 13; salário proporcionais ao tempo de contrato; e folga semanal remunerada. A pessoa também tem direito a contribuição para o INSS e para o Fundo de Garantia (FGTS). ;O trabalhador só não faz jus a aviso-prévio, já que o término do contrato é estabelecido na hora da admissão, nem à multa de 40% sobre o saldo do FGTS;, acrescenta Tolentino.

O advogado explica que, recentemente, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) alterou a jurisprudência sobre o trabalho temporário. Nos casos em que o trabalhador adquire alguma estabilidade provisória, o vínculo empregatício deve ser mantido. Por exemplo, uma mulher que engravide nesse período passa a ter estabilidade de nove meses, que é o tempo normal da gestação. ;Isso deve ser seguido em casos de doenças e acidentes de trabalhos também. Antes, a Justiça entendia que, como já não tinha garantia de emprego, a pessoa não teria também direito de permanecer na vaga;, destaca.

*Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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