Queimando dinheiro ao vivo

Queimando dinheiro ao vivo

ARI CUNHA
postado em 11/12/2016 00:00
Durante todo o ano, o que a população do Distrito Federal mais tem ouvido é que por contingências mil as finanças da capital estavam no vermelho. Por essa razão, o Palácio do Buriti passou enumerar, uma a uma, as despesas que não poderiam ser honradas por conta da falta de dinheiro.

Números milionários de cortes foram apresentados, investimentos cancelados, despesas adiadas, contingenciamentos propostos, redução de custos descriminados, riscos de cortes ventilados, salários ameaçados, aumentos de tarifas e tributos fixados, entre outras medidas orçamentárias necessárias para sanear os cofres do GDF.

A todas elas a população deu seu parecer favorável e até contribuiu como pode. Dessa forma, torna-se quase surreal o anúncio feito agora de que o GDF abriu aviso de licitação para a contratação de empresas interessadas em organizar as festas de ano-novo. Não se sabe muito bem o que o governo local tem de fato a comemorar. Mas seja lá o que for, essas e outras festanças deveriam ficar sob o encargo apenas da iniciativa privada, que cobraria pelo evento.

O que não faz sentido é gastar o dinheiro do contribuinte, já esfolado e depois que o próprio GDF declarou a falência das contas públicas. Gastar recursos que serviriam para compra de remédios, reformas de instalações, infraestrutura e outras obras necessárias para o cidadão em caches para duplas caipiras e outras atrações do gênero, não faz sentido.

Pior ainda é queimar esses parcos recursos nos chamados show de pirotecnias, nos quais o que se realiza de fato é a queima do dinheiro público ao som dos pipocos e dos falsos brindes de ocasião. Para muitos brasilienses, 2016 poderia ser banido do calendário.

Além da escassez de verbas para tocar a administração da cidade, os cidadãos da capital ainda tiveram que aguentar mais um ano em que os escândalos na Câmara Legislativa ocuparam as manchetes, e em que alguns deputados só faltaram mesmo agredir o governador. Operações levadas a cabo pelo Ministério Público, pelas polícias federal e civil do DF, puseram a nu os desfalques milionários envolvendo os grandes figurões da cidade, alguns amargando a realidade das prisões.

Torrar R$ 220 mil do contribuinte em fogos de artifício, além de uma má ideia do GDF, é um contrassenso que pode colocar dúvidas sobre a real situação das finanças públicas locais. É bom lembrar que, em 2015, o GDF já havia dizimado R$ 950 mil dos recursos públicos nesse mesmo tipo de festança. Dessa folia toda, não ficou lembrança nem benefício para a sociedade. A festa que o cidadão quer assistir é a da boa administração. Chegar em um hospital e ser atendido em menos de uma hora, ver os filhos progredindo na escola, conseguir se deslocar em longas distâncias com serviço de transporte confortável, seguro e pontual. Não ter dois carros roubados depois de pagar tantos impostos.

O que o contribuinte quer é o retorno do suor dispendido para pagar impostos. Não em fogos, mas em serviços.

Batidão
  • Festas rave são laboratórios da criminalidade. Álcool à vontade, drogas liberadas e a omissão governamental na manutenção do vício.

Leitor
  • De fato, a coleta de papelão, papéis e outros materiais recicláveis deveria ser feita usando-se caminhões gaiola, e não caminhões com pá compactadora, hidráulica. Isso compromete muito a qualidade e valor do material. Papelão tem mais valor quando seco e não estilhaçado, tal como as associações de recicladores fazem.

Super FM
  • Lúcia Garófalo está afastada temporariamente da Super FM. Itamar, Toninho e Meire Lucy estão à frente fazendo as honras da Casa. Lúcia, sinta o nosso abraço e pode ter certeza que são muitas as orações pela sua recuperação.

Democracia digital
  • Ouvimos de relance pela rádio Senado exposição do professor Sérgio Braga sobre as novas tendências de parlamento. Em Minas Gerais, por exemplo, o portal da Assembleia Legislativa supervisiona o andamento das políticas públicas, o que estimula e aprimora a educação cívica do povo. O parlamento jovem na cidade de Palmeira também é exemplo de inovação, com a participação da juventude que aprende a legislar.

Leitor
  • Iniciativas como as Olimpíadas do Conhecimento, que interagem Senai, Sebrae e IFCT, deveriam ser espelho para que as escolas públicas se envolvessem no mesmo projeto. Nada como a prática para desenvolver os estudantes. Mostras de diversos temas, como moda, tecnologia, robótica, construção de casas, veículos, móveis, artesanatos, foram excepcionalmente bem tratadas naquele espaço, evidenciando que o Brasil pode participar em condições de igualdade com vários países, mesmo com os mais desenvolvidos tecnologicamente. Ver patentes sendo apresentadas e desenvolvidas, e à procura de investidores foi muito salutar.

História de Brasília
Estão cerceando a liberdade que deveria ter o sr. João Goulart para nomear o prefeito de Brasília. Pressões políticas estão vindo de toda a parte, e isso tem prejudicado o Distrito Federal. (Publicado em 19/9/1961)

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