Artesãos do couro

Artesãos do couro

Produzindo carteiras e artigos de couro de qualidade superior à mão, brasilienses conquistam clientes de todo o Brasil e do exterior

Ana Paula Lisboa
postado em 11/12/2016 00:00
 (foto: Gabriela Studart/CB/D.A Press	)
(foto: Gabriela Studart/CB/D.A Press )

Graduado em propaganda em marketing Will Pedrosa, 33 anos, e o publicitário Felipe Kuhlmann, 29 anos, produzem artesanalmente carteiras, braceletes, organizadores de cabos, cintos, chaveiros, organizadores de mesa e outros artigos de couro de alta qualidade. Do desenho ao acabamento, passando por corte, furos, costura e aplicação da marca com calor, toda a produção da Braveman Handmande Leather Goods é feita à mão. A microempresa foi aberta pelos dois em 2013. ;Prezamos mais por qualidade do que por quantidade, além da exclusividade. Para lançar um modelo, passamos um ano estudando e trabalhando cada pecinha. É um produto premium que envolve um trabalho muito grande;, conta Felipe.A carteira é simples, mas nada nela é por acaso. Cada curvinha é pensada. Ela é medida nos mínimos detalhes para ter a melhor performance;, conta Will. O modelo de carteira mais vendido é o rústico Old Indian, em tom marrom escuro. ;Chegamos à venda de número 694 dessa carteira;, revela Felipe. A estimativa é que, no total, a loja teve 1 mil clientes desde a abertura e está perto de completar 2 mil vendas de carteiras. ;Se a gente quisesse comprar uma máquina e vender 7 mil carteiras por dia, daria. Mas o nosso formato é a opção em que acreditamos;, explica Will.


É possível perceber o cuidado dos proprietários em cada detalhe: desde o número de série que cada carteira recebe, o certificado que informa o dia em que o produto foi feito e a assinatura de quem fez, até a embalagem de madeira maciça em que elas são entregues aos clientes. Além de Felipe e Will, a marca conta ainda com quatro funcionários e dois sócios investidores: Bruno Nóbrega e Fernando Macedo.


O negócio surgiu como e-commerce (braveman.com.br), mas, para atender melhor o público do DF, Will e Felipe mantêm um show room em que atendem com horário marcado na 112 Norte. Apesar de o nome da marca remeter ao universo masculino, os sócios também contam com mulheres no roll de compradores.


Pela internet, os sócios vendem itens para todas as partes do Brasil e chegaram também a países como Estados Unidos, Portugal, Japão, Singapura, Suíça, Espanha e Irlanda. ;As pessoas nos acham por Instagram e Facebook e, como não usamos só português nos diálogos, isso facilita para quem vem de fora;, conta Felipe. Entre clientes ilustres, estão os atores Cauã Reymond, Juliano Cazarré, José Loreto, Milhem Cortaz e Bruno Torres e os lutadores de jiu-jitsu Guilherme e Rafael Mendes.

O começo
As experiências de Will e Felipe com o couro começaram por acaso. À época, o primeiro trabalhava no Ministério da Educação (MEC) e o segundo era dono de uma empresa de tecnologia da informação (TI). ;Sempre gostei de carteira pequena e, um dia, perdi a minha. Fui ao shopping comprar uma nova e não achei nada de que gostasse, além de não ter encontrado nada com couro de qualidade;, recorda Will. Foi assim que ele decidiu fazer uma para si mesmo. Will encontrou uma loja que vendia pedaços de couro perto da casa dele e colocou as mãos à obra. ;Fiz o desenho, cortei com faca e canivete, furei com preguinhos um a um e costurei do jeito que eu pude. Nunca tinha mexido com aquilo, fiquei feliz com o que eu fiz e passei a usar;, diz o pai de Kalani, 10, Maya, 2, e Bebel, de três meses.


O resultado ficou bem rústico, mas com um design parecido com o adotado pela marca hoje. ;Dois amigos me perguntaram onde eu tinha comprado e, quando eu disse que tinha feito, não acreditaram.; Felipe e Will se conheciam porque as esposas deles são amigas e, um dia, quando os quatro saíram juntos, Felipe também se encantou pela carteira artesanal. ;Marcamos de bater um papo para saber se aquilo poderia virar um produto, um negócio;, conta Felipe.


Antes de criarem a marca, eles investiram um ano em preparação, estudando sobre couro, testando modelos e procurando fornecedores em Goiânia e no interior de São Paulo até encontrarem a melhor opção. ;Apesar de não termos nenhuma tradição de família nessa área, trabalhar com couro virou uma paixão. A gente conseguiu aprender bastante para dizer que sabe mexer e fazer um produto de muita qualidade;, finaliza Felipe.

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