No lugar da batucada, o silêncio e a natureza

No lugar da batucada, o silêncio e a natureza

Para quem não gosta dos festejos de Momo, as opções são muitas para aproveitar o feriadão. De meditação em total silêncio a pedalada radical, vale tudo para fugir do carnaval

» Paula Pires Especial para o Correio
postado em 21/02/2017 00:00
 (foto: Fotos: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Fotos: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


No país do samba, do futebol e do carnaval, há quem não curta brincar e pular nos blocos que arrastam multidões pelas ruas. Para muitos, esta é a melhor época do ano para sair em busca de adrenalina com a prática de esportes radicais ou para simplesmente tirar para si um momento de reflexão e contemplação. Antes que alguém argumente que quem não gosta de samba ;é doente do pé;, conforme versa a música de Dorival Caymmi, durante o feriado prolongado, há inúmeras alternativas que vão além dos agitos da folia carnavalesca sob a regência de Momo.

Uma viagem de bicicleta será a opção de um grupo de brasilienses que vai se aventurar em um percurso de 285 quilômetros entre trilhas, estradas de terra e asfalto durante o feriado prolongado. O trio Eric Fernandes, 35, Rafael Vinícius, 24, e Stanley Constantino, 41, partirá para o desafio em duas rodas na madrugada da sexta-feira, com destino a São Jorge, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás.

O roteiro da programação do bloco de amigos Unidos pelo Pedal começa em Formosa (GO), a 75km de Brasília. ;Sairemos do Distrito Federal, na madrugada de sexta-feira, de carro, para chegar a Formosa por volta das 5h30, quando começará nosso desafio. Entraremos em uma trilha e seguiremos de bicicleta para perfazer um total de 285 quilômetros, que dividiremos em dois dias de viagem. São cerca de 20 quilômetros a mais do que se fizéssemos de carro, mas recompensa,; explica Stanley.

No primeiro dia, o grupo percorrerá cerca de 180 quilômetros, ao longo de nove horas, por dentro do vão do Paranã, com destino ao Forte de Goiás (antigo quilombo). ;A complexidade do trajeto está na distância a ser percorrida. Depois de muito esforço físico, chegaremos à casa de Dora, descendente de escravos. Lá, dormiremos. No dia seguinte, por volta das 9h, seguiremos até Alto Paraíso. Nesse segundo percurso, serão mais 70 quilômetros, cerca de quatro a cinco horas de viagem, em que a dificuldade está na altimetria, com muitos declives. Isso porque, de 500 metros de altitude, subiremos para 1,2 mil metros de altitude,; ressaltou p cilista.

Para terminar a pedalada até São Jorge, serão mais 35 quilômetros em uma ciclovia no asfalto, com uma vista deslumbrante de florestas e cachoeiras ; uma natureza em estado bruto que encanta não só os olhos, mas a alma. Segundo Stanley, o trio conseguirá chegar ao destino final da viagem no sábado à tarde. E, para quem pensa que os rapazes vão aproveitar o restinho do feriado descansando, ledo engano. O grupo aproveitará as trilhas da região para fazer moutain bike. ;A região oferece várias opções de ;rolés;, com paisagens impressionantes, inúmeras nascentes, poços, rios, que estão esperando por nós;, adiantou Eric.

Aliás, o brasiliense tem família no Rio de Janeiro e já frequentou muitos blocos de rua em Ipanema e Copacabana até 2015, mas não sente falta da folia e da agitação da festa. ;Já me sinto um velho para brincar no carnaval. Hoje, a minha aposta é sobre duas rodas, encarando desafios cada vez mais difíceis,; afirmou.

Mais novo do grupo, Rafael espera muita adrenalina na viagem, mas tudo com total segurança. ;A minha família vai de carro e carregará toda a nossa bagagem, como barraca de camping e roupas. Na bicicleta, vamos levar alimentos, como banana desidratada, lata de sardinha, além de água. Também estaremos com câmaras reservas para pneu, caso aconteça algum imprevisto,; assegurou.

Meditar é preciso

Na trajetória de vida de Glícia Maria Silveira, 60 anos, aposentada pelo Banco do Brasil, não cabe mais abrir espaços na agenda para brincar o carnaval. ;Adoro dançar, já fui foliã durante a minha juventude, mas esta festa não é mais a minha praia. Com a meditação, encontrei o caminho da alegria;, destacou. Glícia pratica a meditação Vipassana, desde 2009, durante o período do carnaval, fazendo um retiro de 10 dias em que é proibido falar. ;Este ano, ficaremos na Mansão Guadalupe, em Sobradinho, de 24 de fevereiro a 5 de março. Durante todo esse tempo, a gente vai aprender a ouvir o lado de dentro, obedecer ao silêncio para curar a alma.;

No retiro, haverá palestras do monge Theravada, que atualmente mora na Tailândia e virá especialmente para a ocasião. Ao longo dos 10 dias, os participantes viverão uma rotina de contemplação, com exercícios de meditação, com uma dieta de base vegetariana. Para a aposentada, a vida se tornou mais leve com a prática meditativa. ;Consegui diminuir o fluxo do meu pensamento, o que me permite maior concentração em todas as minhas tarefas cotidianas;, resume.

Hoje, Glícia é voluntária da Sociedade Vipassana, dá aulas de meditação para alunos da rede pública escolar do GDF e adota uma postura mais tranquila diante dos estresses que enfrenta. ;Quando aprendi a desenvolver a técnica da observação do corpo, das sensações e dos estados mentais, percebi uma enorme diferença na minha ansiedade, incontrolável antes. Sentia muita angústia no meu peito, tive lesão por esforço repetitivo (Ler) no trabalho e vivia sob forte agitação emocional;, lembrou.

A meditação Vipassana é a versão mais ;hard core dos esportes radicais da transcendência;,como definiu Elizabeth Gilbert no livro Comer, rezar e amar. A prática meditativa vipassana é considerada, também, fisicamente exaustiva, pois desenvolve dois métodos para meditar: sentado (imóvel) e andando ; considerado um movimento mais consciente.

Aos interessados em aprender um pouquinho desta técnica, com o objetivo de aprimorar o autoconhecimento, a Sociedade Vipassana de Brasília oferece meditação conduzida todas as quintas-feiras, das 19h45 às 20h45, e aos sábados, das 16h30 às 17h15. A sugestão é que cada um possa contribuir com R$ 5.

Encontro de jovens

No período do carnaval, a Escola de Evangelização Santo André oferecerá o Retiro de Formação Jovem da Igreja Católica para todos aqueles entre 15 e 25 anos. O encontro será de 25 a 28 de fevereiro. Segundo Bárbara Elizabeth Guedes, 23 anos, uma das organizadoras, serão realizadas palestras e atividades práticas em que os participantes terão a oportunidade de refletir sobre as próprias vidas. ;É como se você estivesse passando a limpo a sua história. Neste ano, o retiro será em três locais distintos: Taguatinga, Candangolândia e Planaltina. E as inscrições podem ser feitas pelo Facebook (EESA JOVEM Brasil).;

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