Tensão elevada em dia decisivo

Tensão elevada em dia decisivo

postado em 19/04/2017 00:00
 (foto: Juan Barreto/AFP)
(foto: Juan Barreto/AFP)



Fortalecido pelo apoio dos militares, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrenta hoje o sexto protesto contra seu governo em 19 dias, determinado a dar uma demonstração de legitimidade aos adversários. Como resposta à ;mãe de todas as marchas;, Maduro convocou uma mobilização em massa de seus correligionários, o que aumentou ainda mais a tensão no país e os temores de violência nas ruas de Caracas e das grandes cidades venezuelanas.

Na tarde de ontem, o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, leu uma mensagem na escadaria da sede do Legislativo, pedindo aos militares que parem de reprimir as manifestações dos antigovernistas e que sejam leais à Constituição. ;Seus líderes nas Forças Armadas devem ouvir a queixa dos homens que usam uniformes e que também sofrem com a crise (...) exigimos o fim dos abusos, do assédio, da repressão;, ressaltou Borges, escoltado por parlamentares da oposição.

O parlamentar assegurou que não se tratava de uma reação ao ato do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, que ratificou na véspera a ;lealdade absoluta; das Forças Armadas a Maduro. ;Vocês juraram lealdade à Constituição e às leis. A mais ninguém;, expressou o chefe do Legislativo. Desde 1; de abril, os protestos resultaram em duros confrontos entre os policiais e os manifestantes. Cinco pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e mais de foram 200 presas.

A principal reivindicação da oposição nas marchas é a realização de eleições gerais como uma solução para a crise política e econômica que o país enfrenta. ;O povo venezuelano, neste momento, só quer exercer o direito previsto ao voto, que está na Constituição;, enfatizou Borges. Previstas para o fim do ano passado, as eleições para governadores foram adiadas por tempo indeterminado.

Barreira
Para hoje, a oposição estabeleceu 26 pontos de saída para a manifestação que pretende chegar à Defensoria do Povo, no centro de Caracas, reduto chavista. Aliados do governo já anteciparam que, como sempre, não vão deixar que entrem nessa área. ;Toda Caracas será tomada pelas forças revolucionárias, e não nos perturbem;, advertiu Diosdado Cabello, um dos mais poderosos líderes do chavismo.

O governo alega que a oposição promove o ;terrorismo; e a violência nas marchas para levar a um golpe de Estado. Já seus adversários acusam as autoridades de repressão e de torturar os presos.

Em meio a essa escalada, 11 países latino-americanos pediram à Venezuela que garanta o direito à manifestação pacífica e lamentaram as mortes ocorridas nos protestos. ;É vulgar o duplo padrão e a seletividade política desses governos para justificar a violência vandálica da oposição;, reagiu a chanceler Delcy Rodríguez.

Fuga
Relatório divulgado ontem pela Human Rights Watch mostra que o Brasil tem sido destino de venezuelanos que tentam escapar da crise econômica e social do país. Desde 2014, mais de 12 mil ingressaram e permaneceram por aqui, principalmente no estado fronteiriço de Roraima. O fluxo anual quintuplicou nos 11 primeiros meses de 2016, com 7.150 entradas.

O documento exorta os países do continente a pressionar Caracas a aceitar medidas de alívio. ;Há um aumento notável no número de venezuelanos que fogem da Venezuela fundamentalmente por razões humanitárias, buscando alimentos e medicamentos que não estão disponíveis;, disse o diretor para a América da organização civil, José Miguel Vivanco. Ele acrescentou que muitos também fogem da insegurança no país, ;onde a regra é a impunidade para as vítimas de crimes violentos, sejam eles cometidos por organizações criminosas ou por agentes do Estado;.

A maioria dos que vieram para o Brasil solicitou asilo, enquanto outros buscam um trabalho temporário ; embora seja proibido por lei ;, ou procuram por assistência médica de urgência. Apesar da precária situação, seis em cada 10 pessoas disseram estar melhor no Brasil do que na Venezuela, segundo o documento.

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