Verde que te quero verde

Verde que te quero verde

Por Márcio Cotrim
postado em 30/04/2017 00:00

MATA CILIAR ; Importante formação vegetal para a preservação da vida e da natureza. É a cobertura nativa existente nas margens de rios, de igarapés, de lagoas e de represas, necessária para a sua proteção, como são os cílios para nossos olhos. Daí, o berço da expressão. Mata ciliar, em linguagem de leigo, é a franja vegetal na beira de toda superfície líquida natural. Acolhe grande variedade de seres vivos que nela encontram abrigo e refúgio. Cobras, jacarés e outros bichos vivem por ali e dão brutos sustos nos desavivados ; não raro, os transformam em suculentas refeições.

ECOLOGIA ; O berço dessa palavra é o grego o;kos (casa, lar) + lógos (estudo), a relação entre os seres vivos e o ambiente no qual habitam. O vocábulo foi criado pelo naturalista alemão Ernst Haeckel, discípulo de Charles Darwin. Na verdade, a ecologia abrange tudo o que nos cerca: a água que bebemos, o chão que pisamos, o alimento que ingerimos, a paisagem que nos deslumbra e inspira. A preservação do meio ambiente tem sido uma das grandes preocupações da humanidade nos últimos anos. Afinal, trata-se de preservar o planeta onde existimos. Destruí-lo seria estúpido suicídio. Mesmo assim, os defensores mais radicais da natureza são tidos como ;ecochatos; pelos que a destroem. No caso do desmatamento da Amazônia ; o maior tesouro do Brasil ;, permita-me dizer, o que se exige mesmo é um matamento, você não acha?

SUSTENTABILIDADE ; É a capacidade de desenvolver atividades econômicas mantendo, ao mesmo tempo, a vitalidade dos componentes dos ecossistemas. A palavra tem seu berço no latim sustentare, a partir de sustinere: sub tenere. Em anos recentes, esse conceito se tornou um princípio segundo o qual o uso dos recursos naturais, para a satisfação de necessidades presentes, não pode comprometer a das gerações futuras. A ECO-92, oficialmente, Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável. A mais importante conquista desse evento foi reunir dois termos: meio ambiente e desenvolvimento. Mas, cá entre nós, foi uma África até que a palavra entrasse em moda. Ainda bem que ela agora seja repetida à exaustão, nos discursos dos políticos ou nos anúncios das mais variadas empresas.Tanto que sustentabilidade praticamente virou um mantra nestes tempos pós-modernos.

ENERGIA EÓLICA ; Ela, por assim dizer, representa os ventos do futuro. Colocou o país em destaque no mapa mundi e agora nos transforma na vanguarda da sustentabilidade. Quanta esperança! Limpa e renovável, a energia eólica, que provém do vento, tem sido aproveitada desde a Antiguidade para mover os barcos impulsionados por velas ou para fazer funcionar a engrenagem dos moinhos. Mas qual o berço dessa expressão? O termo eólico vem do latim aeolicus, relativo a Éolo, deus dos ventos na mitologia grega. Quem cruza o litoral do Ceará já pode vislumbrar como será o futuro energético do Brasil. Lá, as usinas eólicas são uma realidade. Sobre as dunas, à margem das estradas, ao lado de plantações, enormes hélices brancas dominam o cenário. Com seus quase cem metros de altura, disputam a atenção de quem visita as praias locais. Como em muitas casas nordestinas ; onde é tão generoso o bafejo dos ventos ;, a energia eólica há de ser muito importante no futuro, pois, além de tudo, não consome água, um bem cada vez mais escasso no mundo. E tudo isso sob as faias de belos coqueiros. Como vai ser bom viver de brisa...

REVISTA VERDE ; Não poderíamos esquecer, nesta revista, a Revista Verde propriamente dita. Foi um periódico de arte e cultura do grupo artístico mineiro Movimento Verde, publicado na cidade de Cataguases e que circulou no final dos anos 1930, sob a liderança de Rosário Fusco, tendo como colaboradores nomes como Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Aníbal Machado e Marques Rebelo, entre outros. O grupo, profundamente integrado, manteve ligações estreitas com Humberto Mauro, um dos pioneiros do cinema nacional que, à época, vivia em Cataguases. O veículo foi, ainda, importante fator na consolidação do movimento modernista em termos nacionais. Representou intensa penetração no interior brasileiro levando-lhe o vigor do modernismo, fenômeno só repetido com o pasquim nos anos 1960 e 1970. Pode-se considerar essa experiência como legítima precursora dos tempos ecológicos em que vivemos. Lembra até Garcia Lorca: ;Verde que te quero verde;.

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