Abaixo-assinado contra Brigitte Macron

Abaixo-assinado contra Brigitte Macron

postado em 09/08/2017 00:00
 (foto: Valery Hache/AFP - 14/7/17)
(foto: Valery Hache/AFP - 14/7/17)



O gabinete do presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu ontem especificar ;nos próximos dias; as funções que a primeira-dama exercerá no Palácio do Eliseu ; uma iniciativa antecipada por Macron ainda durante a campanha, mas que enfrenta resistências. Até a manhã de ontem, mais de 270 mil pessoas assinaram uma petição pública contra a concessão de um status oficial para Brigitte Macron, em um momento em que a prática de empregar parentes e familiares se tornou um dos ;pecados capitais; da política francesa, a ponto de ter derrubado da disputa pela presidência o favorito, o direitista François Fillon.

;Brigitte Macron desempenha um papel (no governo). Tem responsabilidades. Queremos transparência e queremos delimitar os meios dos quais ela dispõe;, tuitou o porta-voz Christophe Castaner, em meio à polêmica gerada pelo lançamento do um abaixo-assinado, há duas semanas. ;Em um momento no qual o governo quer economizar, não podemos apoiar a iniciativa de dar um status específico para a mulher do presidente;, diz o texto da petição, apresentada no site change.org por Thierry Paul Valette, que se apresenta como ;pintor e autor; e ;cidadão comprometido;.

Eleito em maio, Macron incentivou a aprovação de uma lei que proíbe ministros e parlamentares de contratar familiares. Na campanha pela presidência, a revelação de que o ex-premiê Fillon tinha empregado a mulher e um filho como assessores em seu gabinete de deputado custou caro ao político direitista. Depois de largar como favorito absoluto, ele se viu alvo de uma investigação e acabou alijado da disputa já no primeiro turno.

Preocupado com a repercussão do abaixo-assinado, o gabinete de Macron esclareceu que Brigitte terá ;uma função pública;, mas não remunerada, e descartou a ideia de alterar as disposições legais sobre o assunto. A Constituição francesa não define um papel para o cônjuge do chefe de Estado, mas tem sido usual que conte com gabinete, auxiliares e um serviço de segurança ; submetidos ao orçamento geral do Eliseu. Em 2013, a então mulher do presidente François Hollande recebeu uma dotação de 400 mil euros.

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