A fúria de Irma

A fúria de Irma

De categoria 5, Irma devasta 90% da ilha de Barbuda, derruba casas em St. Martin e deixa pelo menos sete mortos durante a passagem pelo Caribe. Flórida se mobiliza para a chegada do fenômeno, o mais intenso da história. José e Katia ganham força e se tornam furacões

» RODRIGO CRAVEIRO
postado em 07/09/2017 00:00
 (foto: Rinsy Xieng/AFP
)
(foto: Rinsy Xieng/AFP )


De férias no Caribe, o nigeriano Eze Egwatu, 31 anos, se protegeu como pôde. Escolheu a parte da casa onde havia uma janela menor e viveu uma madrugada de pânico, em Cope Coy, na Ilha de St. Martin. ;O olho do furacão Irma (de cerca de 50km de diâmetro) passou às 5h30 (6h30 em Brasília), e os ventos chegaram a 305km/h. Foi realmente aterrorizante;, afirmou ao Correio o engenheiro de redes que mora na Califórnia. ;Eu vi placas de madeira compensada, partes de telhados e destroços voarem por todos os lados. Casas de concreto foram derrubadas, há muitos carros danificados e destruição por todos os lugares. Nada foi poupado;, lamentou. ;Foi algo surreal. A chuva e o vento açoitavam a porta de vidro da varanda, e nossos quartos foram inundados. Tudo o que podíamos escutar era o som do vento uivando, das ondas quebrando e da chuva. Nenhum de nós passou por algo assim;, contou à reportagem a empresária Loren Ann Mayo, 37 anos, moradora de Sarasota (Flórida), que fazia turismo em St. Martin.

De categoria 5, a máxima na escala de intensidade Saffir-Simpson, o Irma é o mais devastador furacão registrado no Atlântico. Segundo a minstra de Ultramar da França, Annick Girardin, ele deixou ;ao menos seis mortos e dois feridos graves; em St. Martin e em St. Barth. ;É cedo demais para dar um balanço preciso. Já posso dizer que esse balanço será duro e cruel, teremos que lamentar vítimas;, declarou o presidente francês, Emmanuel Macron. ;Os prejuízos são enormes, a tal ponto que ainda não podemos mensurar;, declarou Ronald Plasterk, ministro do Interior da Holanda. Outra pessoa morreu em Barbuda, onde 90% das estruturas sofreram danos. O premiê de Antigua e Barbuda, Gaston Browne, disse que a ilha de 1.800 moradores está ;praticamente inabitável;. ;A extensão da destruição em Barbuda é sem precedentes;, lamentou. Em Bridgetown, capital de Barbados, o cineasta Irie Wilson relatou ao Correio que alguns barcos viraram na costa leste. ;Mas o impacto sobre a ilha não foi tão ruim como esperávamos;, comentou.

Enquanto Irma segue pelo Caribe, rumo ao Estado norte-americano da Flórida, duas tempestades ganharam força e se transformaram em furacões: José e Katia. É a primeira vez em sete anos que um trio de furacões se forma no Golfo do México. Até o fechamento desta edição, José estava a 1.675km a leste das Pequenas Antilhas, com ventos sustentados de 120km/h. Katia, por sua vez, ameaçava o estado mexicano de Veracruz, com a mesma intensidade. ;Irma é extremamente perigoso e destrutivo e não enfraquecerá muito nos próximos dias. Qualquer coisa que esse furacão atingir, incluindo a Flórida, será gravemente impactada;, alertou à reportagem Brian McNoldy, especialista em furacões pela Universidade de Miami.

Medo

Apesar de admitir a dificuldade em prever a força com que Irma chegará aos EUA, provavelmente no domingo, McNoldy aposta na categoria 4. O governador da Flórida, Rick Scott, fez uma dramática advertência à população: ;Nós podemos reconstruir nossas casas, podemos obter nosso bens novamente, mas não podemos reconstruir nossas famílias;. Pelo menos 25 mil pessoas atenderam à ordem de retirada do arquipélago de Florida Keys, que deve receber o primeiro impacto de Irma. Em Miami, foram montados quatro abrigos com capacidade para 8 mil cidadãos. Por meio de nota, o presidente Donald Trump declarou ter conversado com Kenneth Mapp, governador das Ilhas Virgens, e colocou Washington à disposição na resposta a uma possível catástrofe. Trump também falou por telefone com Scott e com o governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló. ;Estou monitorando o furacão de perto. Minha equipe, que fez e está fazendo um bom trabalho no Texas, já se encontra na Flórida. Sem descanso para os cansados!”, escreveu o magnata republicano no Twitter.

O clima na Flórida é de medo. Natural de Montes Claros (MG), Sandra Kuhre, 59 anos, mora em Naples desde 1998 e tentava, em vão, comprar gasolina. ;Nós estocamos água, alimentos e material de primeiros socorros. Nós recebemos um manual de furacões e temos que cobrir as janelas de casa. As estradas estão entulhadas, e as pessoas estão com receio de sair;, disse à reportagem. Irma é mais potente do que os furacões Luis (1995), Hugo (1989) e Harvey, que matou recentemente 42 pessoas no Texas e em Louisiana.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação