Estados reagem a Trump

Estados reagem a Trump

Procuradores desafiam decisão do presidente que extingue proteção a jovens imigrantes em situação irregular

postado em 07/09/2017 00:00
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fotos: Chip Somodevilla/AFP
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(foto: fotos: Chip Somodevilla/AFP )


Procuradores-gerais de 16 estados americanos apresentaram ontem à Justiça uma ação contra a extinção do programa Ação Adiada para Chegadas na Infância (Daca, em inglês), anunciada na véspera pelo governo Donald Trump. Criado por decreto do ex-presidente Barack Obama em 2012, o Daca, além de proteção contra a deportação, concedeu permissão de trabalho, seguro social e acesso à carteira de motorista para 800 mil imigrantes ilegais que entraram nos Estados Unidos com menos de 16 anos e vivem ininterruptamente no país desde 2007.

A ação judicial argumenta que o governo de Trump violou uma cláusula constitucional ao discriminar os jovens de origem mexicana, que representam 78% dos protegidos pelo Daca, além de não garantir a eles o devido processo legal. Os autores da iniciativa alegam que a eliminação do Daca prejudicou as economias, as instituições e os residentes dos 16 estados.

;A decisão do governo de Trump é cruel, desumana e devastadora para 42 mil nova-iorquinos que puderam sair da sombra (clandestinidade);, disse à imprensa o procurador-geral do estado de Nova York, Eric Schneiderman. ;Por isso estamos levando o governo de Trump aos tribunais: para proteger os dreamers (sonhadores, como são chamados os jovens com Daca) e os empregadores que contam com eles;, acrescentou o procurador, para quem a decisão de Trump foi baseada em ;preconceito pessoal contra os mexicanos;.

A ação, liderada pelos procuradores de Nova York, Washington e Massachusetts, foi apresentada também pelos estados de Connecticut, Illinois, Iowa, Novo México, Carolina do Norte, Vermont e Virgínia. Califórnia e Texas não recorreram à Justiça, embora sejam as unidades federais com maior número de jovens assistidos pelo Daca.

Trump, ao extinguir o Daca, colocou a responsabilidade nas mãos do Legislativo, dominado pelo Partido Republicano (governista). ;Realmente, acho que o Congresso quer se ocupar do tema. Realmente acho isso, inclusive membros muito conservadores do Congresso;, disse o presidente, confiante. ;Se fizerem alguma coisa acontecer, vamos assinar e fazer muita gente feliz;, afirmou. ;Se não fizerem, veremos o que fazer;, acrescentou.

Na esteira dos protestos, o prefeito de Chicago, Rahm Emmanuel, que foi chefe de gabinete do presidente Barack Obama, declarou a cidade como ;zona livre de Trump;. ;Para todos os dreamers: vocês são bem-vindos em Chicago. Essa é sua casa e vocês não devem se preocupar;, afirmou Emmanuel. ;Nossas escolas, nossos bairros vão ser uma zona livre de Trump;, complementou.

Em comunicado divulgado no Twitter, Emmanuel afirmou que a decisão de Trump não apenas é prejudicial aos jovens afetados, mas golpeia os valores americanos e é uma afronta à decência moral. ;É uma traição a mais de 800 mil crianças que não fizeram nada de errado e ao papel que os EUA exerceram por anos.;

Com o fim da proteção proporcionada pelo Daca, o principal temor dos dreamers, agora, é que seus dados pessoais percam o sigilo, cheguem ao conhecimento dos serviços de imigração e, a partir daí, comece uma onda de deportações deles e de suas famílias. Os defensores do programa argumentam que os dreamers estão totalmente integrados aos Estados Unidos, já que entraram no país menores de idade, e muitos deles sequer conhecem o país de nascimento e o idioma de origem.

;Para todos os dreamers: vocês são bem-vindos em Chicago. Nossas escolas, nossos bairros vão ser uma zona livre de Trump;

Rahm Emmanuel, prefeito de Chicago

800 mil
Total estimado de estrangeiros protegidos da deportação pelo programa Daca, extinto pelo presidente

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