Definição dos próximos passos

Definição dos próximos passos

Temer se reúne com assessores e ministros para discutir a estratégia de defesa contra a denúncia de Janot e fechar a viagem aos EUA

ROSANA HESSEL HAMILTON FERRARI Especial para o Correio
postado em 17/09/2017 00:00

O presidente Michel Temer aproveitou o sábado para preparar a viagem aos Estados Unidos e definir as estratégias de defesa contra a segunda denúncia apresentada contra ele pelo procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e na qual é acusado agora pelos crimes de formação de quadrilha e de obstrução de Justiça.


Após se reunir na véspera com o seu advogado Antonio Carlos Mariz, Temer chegou por volta das 10h30 ao gabinete do Palácio do Planalto. Às 11h, recebeu o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, encontro que foi incluído na agenda na parte da tarde. Às 11h30, o presidente chamou os ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência) para fazer os preparativos finais e tratar do discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, na terça-feira.


À tarde, o chefe do Executivo almoçou com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, no Palácio do Jaburu, onde também recebeu o deputado Arthur Maia (PSB-BA), relator da reforma da Previdência, e o marqueteiro Elsinho Mouco. Moreira e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, também foram denunciados pela PGR. Padilha viajou para Porto Alegre e não participou do encontro no Jaburu.


Temer evitou fazer pronunciamento em vídeo na internet se defendendo, como fez na primeira denúncia, porque seus assessores o orientaram para isso e o convenceram de que a nota em que afirmou que a denúncia de Janot é ;recheada de absurdos; já era suficiente.

Viagem
Temer embarca para os EUA amanhã às 9h, logo após participar da posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que ocorrerá às 8h por conta da viagem presidencial. O Planalto defende que a segunda denúncia seja devolvida pelo STF para Dodge.


Assim que chegar a Nova York, o peemedebista participará de jantar oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos presidentes latino-americanos. Segundo o Planalto, comparecerão ao encontro os chefes de Estado da Colômbia, Juan Manoel Santos, e do Peru, Pedro Paulo Kuczynski. No cardápio, a crise na Venezuela será um dos assuntos a serem apreciados.


O presidente brasileiro fará o discurso da abertura da ONU, como é de praxe. O Planalto não informou quantos ministros integram a comitiva de Temer aos EUA. A assessoria do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, contou que ele embarca no dia 19 e se juntará ao presidente. O retorno de Temer ao Brasil está previsto para a madrugada de quinta-feira, mas ainda não está confirmado pelo Planalto oficialmente. Meirelles deverá continuar nos EUA, realizando encontros com investidores, até a próxima semana.


Delação da OAS no STF

Depois de dois anos entre idas e vindas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou, na noite de sexta-feira, para o Supremo Tribunal Federal (STF) um pacote de acordos de delação premiada de oito executivos das empreiteiras OAS e Galvão Engenharia, investigadas na Operação Lava-Jato por participação no esquema de corrupção na Petrobras. Esse foi, de fato, o ato derradeiro de Janot à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão sobre a homologação desses acordos, porém, caberá ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no STF.


As informações são de que as delações são de executivos de escalão intermediário da empresa, segundo informações do jornal O Globo. Em depoimentos, eles relataram pagamento de propina e contribuições via caixa dois aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), a aliados próximos ao presidente Michel Temer (PMDB) e a integrantes da cúpula do PSDB.


O acordo do principal delator da OAS, Léo Pinheiro, um dos sócios da empreiteira, não está nesse pacote enviado ao Supremo. Ele e outros executivos do alto escalão da empresa ainda negociam uma colaboração premiada com a PGR. Pinheiro está preso em Curitiba. Acusado de formação de organização criminosa, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro, ele foi condenado a 26 anos e sete meses de reclusão.

Colaborou Guilherme Mendes

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