Ari Cunha

Ari Cunha

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 12/11/2017 00:00
Novas eleições, novos tempos

A perda paulatina e ininterrupta da confiança popular nos políticos, como bem demonstram variadas pesquisas,0 não pode ser contornada com a entrada de milhões nos cofres das legendas. Nem todo o dinheiro do mundo em propaganda seria capaz de reverter a perda de credibilidade. Um sinal de que o dinheiro não pode tudo é que a cada eleição aumenta o número de eleitores que simplesmente deixam de comparecer às urnas.

Há inclusive estudos que mostram que, não fosse a obrigatoriedade do voto, inscrito na lei, muitos eleitores só saberiam que seria eleição por se tratar de um feriado.

Se o financiamento público de campanha, como afirmam muitos, é necessário para afastar a influência das empresas privadas, por outro lado a abundância de recursos e a sede como os políticos se atiram ao pote dos financiamentos públicos têm trazido mais prejuízos do que benefícios para os próprios políticos e por tabela para o processo de aperfeiçoamento da democracia brasileira.

Do ponto de vista do cidadão comum, os partidos vivem numa espécie de divórcio litigioso com a população. Transformados em clubes fechados e insistindo em manter interlocução apenas entre si e com aqueles instalados no poder e na máquina pública, os partidos políticos já não empolgam a população . Esse efeito é ruim para a democracia.

Sentido-se traídos pelos seguidos escândalos de corrupção, os cidadãos já perceberam que por mais criativos e endinheirados que estejam, as legendas políticas não atraem nem os jovens, nem os idosos. De acordo com o Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea), 118 países adotam algum tipo de financiamento público para apoiar partidos ou campanhas, mas nenhum deles possui tantos recursos e facilidades como o sistema brasileiro.

Ao deixar de sobreviver com as contribuições diretas dos filiados e simpatizantes, os partidos políticos começaram a cortar o cordão umbilical com a sociedade que afirmavam representar. Ao adquirirem a independência econômica, muito acima das necessidades, essas mesmas legendas se apartaram de vez da população, de quem só dependem efetivamente a cada quatro ano.

Apoio efetivo só se compra daqueles que trabalham mais diretamente nas campanhas. Há uma crise dos partidos que parece só ser vista por aqueles que estão do lado de fora e que é formada pelo grosso da população.

É justamente esse ponto que foi percebido, com a lupa da ganância, pelos mais caros e criativos marqueteiros de campanhas políticas de todo o país. Capazes de transformar água em vinho e de fazer um jumento subir a rampa do palácio com faixa verde-amarela, esses expertises da propaganda tiravam leite de pedra, mas, ainda assim, não foram capazes de solucionar a crise de identidade das legendas e seu desgaste perante a opinião pública.

Impressionante como ainda muitas legendas são capazes de vender a alma para garantir um tempo maior em rádio e televisão. Mais impressionante como ainda verificar que mesmo de posse de grandes somas de dinheiro, capazes de comprar os serviços dos mais renomados bruxos do marketing político, ainda assim os partidos políticos deixaram de ser a razão sincera para o voto da sociedade. Pior, quanto mais poderosos e pretensamente autossuficientes, mais longe do eleitor e das necessidades dos brasileiros.

A crise moral revelada pelas investigações do Ministério Público e Polícia Federal resultou numa espécie de maldição que parece manter cada vez mais em lados opostos e antagônicos eleitores e partidos políticos, gerando um tipo peculiar de Midas político que parece carregar o fardo de sua opulência que é também o de seu ocaso.


A frase que foi pronunciada

;Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças/ As pirâmides que novamente construíste/ Não me parecem novas, nem estranhas;/Apenas as mesmas com novas vestimentas.;
William Shakespeare


Leitor
Sobre o nosso pedido de atenção aos ciclistas Uirá Lourenço afirma: ;A tendência atual é humanizar a cidade, reduzir os limites de velocidade e restringir o uso do carro, especialmente na área central, como forma de incentivar que as pessoas usem os modos coletivos e saudáveis (ativos) de transporte, como forma de aumentar o bom convívio entre pedestres, ciclistas e motoristas;, diz o leitor.


Release
Entre as novas iniciativas anunciadas pela diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, está a parceria entre Câmara dos Deputados, Tribunal de Contas da União, Instituto Latino-Americano da ONU, Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud) e Senado na assinatura de um protocolo de intenções para a criação do curso de especialização ; pós-graduação lato sensu ; em justiça social, criminalidade e direitos humanos. A ação inaugura processo que levará à criação da terceira Universidade da ONU, depois da Costa Rica e do Japão.


Novidade
Com a concordância imediata da senadora Marta Suplicy e do senador Paulo Paim, a senadora Ana Amélia comentou que, pelos rincões do Brasil, personagens queridos dos municípios são os motoristas de ambulância. Por causa disso, os parlamentares apostam que são os candidatos mais promissores para as próximas eleições.



História de Brasília

Estará logo mais desembarcando em Brasília, para assumir a sua cadeira na Câmara dos Deputados, o ex-prefeito Paulo de Tarso, vítima de um presidente, vítima até de maus companheiros de Parlamento. (Publicado em 07.10.1961)

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