Ex-procurador sabia de operação

Ex-procurador sabia de operação

postado em 22/02/2018 00:00
Mensagens de WhatsApp, obtidas pela Polícia Federal, revelam que o ex-procurador da República Marcelo Miller soube com antecedência de uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão de Andreia Neves, irmã do senador Aécio Neves (PSDB-MG), e o primo do político, Frederico Pacheco. Ele teria sido informado da operação pela advogada Esther Flesch, sua parceira no processo da J.

Na manhã de 17 de maio, quando conversava com a colega sobre honorários recebidos, Miller foi informado de que o escritório para o qual ele atuava não aceitaria mudanças no contrato. O defensor, então, disse a Esther para adiantar o assunto, pois a ;informação insider; era de que a PF deflagraria a operação no dia seguinte. De fato, a Operação Patmos ocorreu em 18 de maio e contou com participação da Procuradoria-Geral da República (PGR), após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na mensagem, relacionada ao vazamento da data da operação, o ex-procurador pede agilidade nos trâmites dentro do escritório. ;Vamos correr, porque a informação insider é a de que a operação pode ser deflagrada amanhã (sic);, diz o texto. A conversa foi obtida por meio da quebra de sigilo telefônico do celular funcional utilizado por Fernanda. O acesso aos dados foi autorizado pelo ministro Edson Fachin, do STF. O advogado André Perecmanis, que defende Marcelo Miller, afirma que o cliente teve acesso às informações por meio de suas atividades de advocacia e, portanto, não pode ser obrigado a revelar quem lhe antecipou a data da operação. ;Quando ele teve essa informação, já estava desligado do Ministério Público havia 40 dias;, destacou. A Polícia Federal informou que não comenta possíveis investigações em andamento. (RS)

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