Crianças na penúria

Crianças na penúria

Cida Barbosa cidabarbosa.df@dabr.com.br
postado em 28/04/2018 00:00
Um panorama aterrador foi revelado nesta semana pela Fundação Abrinq: mais de 40% de crianças e adolescentes de até 14 anos vivem em situação domiciliar de pobreza no Brasil. Isso significa 17,3 milhões de menores. Os que estão em extrema pobreza são 5,8 milhões. A pesquisa mostra como a bárbara desigualdade deste país atinge em cheio o grupo mais vulnerável. É muita criança vivendo na penúria, carente de tudo, até mesmo de comida. Um flagelo social desesperador, mas incapaz de comover os que podem mudar essa realidade. Quem recebeu do povo a autorização para representá-lo e defender seus direitos fica cego, mudo e surdo ao clamor dos mais necessitados. Salvo raríssimas exceções, legisla em causa própria, batalha ; e como se empenha nisso ; para alcançar seus objetivos mesquinhos.

Este país que ignora crianças esfomeadas deixa defasado um programa imprescindível como o Bolsa Família, que deveria contribuir ;para o combate à pobreza e à desigualdade;, como prega o site do Ministério do Desenvolvimento Social. Como combater a pobreza se o benefício não foi reajustado no ano passado enquanto o gás de cozinha, por exemplo, subiu 15,5% no acumulado de 12 meses encerrado em março?

O país de 13,7 milhões de desempregados é o mesmo das malas de dinheiro em apartamentos e zanzando por ruas nas mãos de ;ingênuos; assessores políticos, de parlamentares flagrados com altos montantes em casa, de gastos milionários, liberados sem nenhum pudor, para comprar apoio e evitar perda de mandatos. É o país em que praticamente todos os dias temos denúncias de corrupção, de pagamentos tão numerosos de propinas que dificilmente chegaremos a saber o tamanho da roubalheira. Mesmo assim, o que vemos são integrantes nos três poderes da República zelando para manter o atual estado das coisas.

Como resgatar a esperança num país assim? Rosana Ramos parece não alimentar nenhuma. Há quatro anos sem trabalho, ela diz que não tem em quem votar nas próximas eleições. Só vê mais do mesmo: candidatos que prometem ;um monte de coisas; e, quando eleitos, ;os pobres são os mais esquecidos;.

Rosana foi personagem de uma reportagem do Valor Econômico, nesta semana, mostrando que mais de 700 mil pessoas estão na miséria na região metropolitana de São Paulo, o maior polo de riqueza do país, composta por 39 municípios. O número é 35% maior do que em 2016.

Em seu desalento, a desempregada propõe: ;Acho que a população deveria fazer uma greve de voto;. Como criticá-la? Como convencê-la de que é por meio das eleições que podemos conseguir mudanças neste Brasil levado à bancarrota pela ladroagem e por más administrações? Os próprios analistas políticos preveem que a renovação no Congresso será mínima. Parlamentares tendem a ser reeleitos porque os concorrentes não terão espaço no horário eleitoral nem recursos do fundo partidário para campanha. Se assim for, continuaremos a anos-luz de um Brasil digno e igualitário.




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