"Aqui é terra sem lei"

"Aqui é terra sem lei"

Isa Stacciarini
postado em 05/07/2018 00:00


Presidente da Associação dos Ambulantes de Brasília, Luiz Coutinho disse que, na Rodoviária do Entorno, há trabalhadores itinerantes e fixos. Os primeiros são aqueles que transitam com carrinhos de mercadorias entre as filas, como era o caso das vítimas e do suspeito identificado. Os fixos são os comerciantes que estendem o pano e vendem os produtos.

;Cada carrinho fica em uma fila e os outros comerciantes circulam. Quando a Agefis (os auditores da Agência de Fiscalização) chegam, todo mundo corre no sentido contrário. Quando voltam, eles se reposicionam. O que acontece é que, na volta, isso gera uma discussão, mas eles não têm ponto fixo;, garantiu.

No entanto, camelôs que trabalham no local desde a inauguração do terminal no antigo Touring relatam a disputa por área e por preço de mercadoria. ;Isso é briga antiga. Aqui é terra sem lei. Tem gente que se ajuda, mas tem também quem não gosta de ajudar nem de ser ajudado;, relatou um comerciante de 56 anos.

A reportagem ouviu sete ambulantes. Eles reforçaram que a disputa é maior nos boxes dos ônibus que saem para Planaltina de Goiás, onde o crime aconteceu. Nos outros, apesar de existir um ponto definido, os ambulantes se ajudam.

Uma camelô, de 43 anos, contou que há vendedores que atuam dentro dos ônibus e outros, que vendem no terminal. ;Existe uma rixa entre os dois grupos. Ela aumentou depois que algumas empresas proibiram vendas nos veículos;, explicou.

O presidente da Associação alegou que a resistência é de quem não se adapta ao padrão do local. ;Para quem nunca foi ambulante na vida é difícil chegar e vender o produto, como em qualquer lugar. As pessoas estão aqui há mais de quatro anos, sem apoio do governo para nenhum credenciamento;, reclamou.

Fiscalização

Responsável por combater o comércio irregular no Distrito Federal, a Agefis afirmou, por meio de nota, que ;todos os dias há uma equipe permanente na área central de Brasília, incluindo principalmente a Rodoviária do Plano Piloto, o Setor Comercial Sul, os pontos turísticos, a Ponte JK e o Touring;.

A Agefis disse haver também outra equipe volante de auditores ;combatendo atividades econômicas sem o devido licenciamento, que faz operações preventivas e punitivas nos pontos mais congestionados, nos pontos mais denunciados e em eventos;.

A agência informou que, nos dois primeiros meses de 2018, emitiu 118 autos de apreensão, somando 9.975 mercadorias, só na região da Rodoviária do Plano Piloto. Em 2017, realizou 1.630 operações na área central de Brasília, com a apreensão de mais de 90 mil itens.



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