Mudança que salva vidas

Mudança que salva vidas

Redução da velocidade nas vias contribui para diminuir o número de acidentes no DF, mas muitos ainda dirigem acima do limite

» MARIANA MACHADO ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 21/09/2018 00:00
O Distrito Federal chegou a mais uma Semana Nacional do Trânsito com índices altos de irregularidades. De janeiro a agosto deste ano, mais de meio milhão de condutores foram multados por excesso de velocidade apenas nas vias urbanas, o que corresponde a cerca de 2.235 infrações diárias. O número ultrapassa a média do ano passado, de 1.901 multas por dia.

Esse é um dos motivos para acidentes de trânsito, que estão entre as 10 principais causas de morte em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Pensando em diminuir o índice, o Detran reduziu a velocidade máxima de 11 vias desde 2016. As avenidas Araucárias e Castanheiras, em Águas Claras, Samdu, Comercial, LJ 01 e LJ 02 em Taguatinga, Terminal Norte em Brasília e as vias N2 e N3 em Ceilândia foram as escolhidas para a mudança.

À exceção da Terminal Norte, que teve redução de 80 km/h para 70 km/h, todas passam a ter um limite de 50 km/h, considerada pela OMS como velocidade segura no trânsito. Com a alteração, houve uma queda no número de acidentes em todos os casos. Na Samdu Sul, por exemplo, um ano antes da mudança, feita em junho de 2016, foram registrados 30 acidentes. Até junho deste ano, foram 19, ou seja, queda de 37% nas ocorrências.

Mas quem frequenta a região não está convencido de que os motoristas estão respeitando o limite. O empresário autônomo Tito Amim, 36, mora em frente à avenida e diz que já viu muita tragédia. ;Na faixa de pedestres acontece muito atropelamento. Os motoristas de ônibus não param, te fecham e não estão preocupados;, reclama. Segundo ele, à noite é comum ocorrer acidentes mais graves. ;Onde não tem radar, os motoristas correm muito. São cenas lamentáveis;, disse Tito.

Dona de uma banca de jornais ao lado do Centro de Saúde número 5, Maria Aparecida Moraes, 61, diz que a faixa de pedestres que há ali raramente é respeitada. ;Estou aqui há 30 anos. Já vi menino ser atropelado e jogado do outro lado da pista. Aqui tem muito pedestre, é uma área com igrejas e escolas, mas o pessoal não dá atenção;, lamenta.

A comerciante mora em Águas Claras, na Avenida Araucárias, onde também houve redução da velocidade em 2016 e conta que lá não é muito diferente. Mas, segundo o Detran, houve uma queda de 42% no número de acidentes desde a alteração.

A administradora Mônica Goulart, 43, mora em um condomínio na avenida e reclama da imprudência na cidade. ;Até desisti de tirar a carteira, porque tenho medo desse trânsito;, diz.

Expansão da medida

O diretor de Educação no Trânsito do Detran, Álvaro Ribeiro, diz que a expectativa é diminuir a velocidade em mais avenidas, começando pela Alagados, em Santa Maria, Hélio Prates, em Taguatinga e Contorno, no Guará. ;Em uma colisão, quanto mais rápido estiver o condutor, maior a letalidade. Reduzir (a velocidade) em 10km/h pode diminuir a possibilidade de morte em até 30%;, destaca.

Álvaro também destacou a importância de respeitar a faixa de pedestres. ;No DF, cerca de 80% dos motoristas param quando o pedestre quer atravessar, mas 20% já pode matar. Não podemos perder esse modelo de civilização da faixa. Precisamos lembrar que, em Brasília, há muito tempo adotamos a cultura de respeito à faixa;, ressalta (veja quadro).

Pelo Código de Trânsito Brasileiro, desrespeitar a faixa de pedestre é uma infração gravíssima, que implica em 7 pontos na carteira e multa de R$ 293. ;Caso a sinalização esteja inadequada ou a faixa apagada, qualquer um pode reportar o problema à Ouvidoria. Nós temos o prazo de 10 dias para resolver;, garante Álvaro.

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