"Os empresários brasileiros estão eufóricos com o futuro"

"Os empresários brasileiros estão eufóricos com o futuro"

Otimista com o próximo governo, presidente do Conselho de Administração da MRV diz que também quer contribuir para mudar o país

Amauri Segalla
postado em 05/12/2018 00:00
 (foto: Alexandre Resende/Divulgação)
(foto: Alexandre Resende/Divulgação)
São Paulo ; O empresário Rubens Menin, de 62 anos, alcançou aquele momento único na vida em que as conquistas do passado dão suporte para os projetos do futuro. Nos últimos 40 anos, Menin construiu uma das trajetórias empresariais mais bem-sucedidas da história do Brasil. Engenheiro formado, cimentou a MRV do zero, tornando-a a maior construtora de imóveis residenciais da América Latina, uma gigante com R$ 6,1 bilhões de faturamento no ano passado e mais de 400 mil apartamentos entregues.

Agora presidente do Conselho de Administração da MRV, Menin tem ideias ousadas para a sua empresa e para o país: ;O sonho da MRV é ser uma plataforma global de produção de apartamentos;. Para alcançar a façanha, diz que a única saída é investir em tecnologia ; como a capacidade de erguer um prédio em apenas 10 dias, técnica já dominada pela companhia.

Menin também quer dar a sua contribuição para transformar o país. Em 2019, tem duas grandes metas: consolidar o Movimento Você Muda o Brasil, lançado em agosto passado e formado por empresários que defendem a ética e a cidadania em todos os âmbitos da vida brasileira, e desenvolver o movimento Bem Maior, que ambiciona dobrar os recursos destinados à filantropia. Criado em parceria com os empresários Elie Horn, fundador da Cyrela, e Eugênio Mattar, presidente da Localiza, o projeto será apresentado oficialmente nesta semana.

Não poderia haver melhor momento para as iniciativas. Pelo menos é isso o que garante Menin, que acha que o Brasil, a partir do novo governo, pode enfim começar a realizar o seu potencial. ;Os empresários brasileiros e os investidores estrangeiros estão eufóricos com o futuro do Brasil;, diz o chairman da MRV. ;Se o país fizer o dever de casa, vai virar uma grande potência.;

Empresário de opiniões fortes, Menin defende os primeiros sinais emitidos pelo governo Bolsonaro e se incomoda com as críticas que ele julga descabidas ao novo governo. ;Uma parte da sociedade tem preconceito com militares. Mas olha a equipe de militares que está no governo: são pessoas treinadas, acostumadas ao comando, éticas e que gostam do Brasil.; O fundador da MRV também acha que os filhos de Bolsonaro estão cumprindo um bom papel. ;Eles apresentam comportamento 100% ético. Qual é o problema de se posicionarem? Não há nepotismo algum nisso. Foram eleitos e têm demonstrado grande capacidade de ajudar. Que pai não quer ter os filhos por perto?; Menin usa o próprio exemplo para justificar sua posição. ;Eu tenho meus filhos me ajudando, dando conselhos, são meus parceiros para a vida inteira;. Acompanhe a seguir a entrevista completa.




"O sonho da MRV é ser uma plataforma global de produção de apartamentos. Nós temos 300 canteiros de obras em 160 cidades. É como se você tivesse 300 fábricas, algo muito complexo, que exige um grande desafio operacional;


"Só três países têm mais de 8 milhões de quilômetros e pelo menos 200 milhões de habitantes: Estados Unidos, China e Brasil. Os Estados Unidos já viraram potência, China está virando agora. Falta o Brasil;






Quais são as perspectivas do setor da construção para o ano que vem?
São ótimas. Nosso setor, que representa 2,5% do PIB, foi um vetor negativo para a economia brasileira durante o período de crise. Perdemos 1,2 milhão de empregos, o que é muita coisa. Em 2019, vai ser o contrário. Vamos empregar e participar ativamente do desenvolvimento econômico. Os empresários brasileiros e os investidores estrangeiros estão eufóricos com o futuro do Brasil.

A despeito do otimismo, quais são os obstáculos para 2019?
A gente tem que arredondar os pequenos detalhes que faltam. Estou confiante em que a Lei dos Distratos, que traz mais segurança jurídica para o nosso setor, será sancionada pelo presidente. Faltam também alguns detalhes finais da reforma trabalhista. Feito isso, será correr para o abraço.

Qual é o potencial da indústria brasileira da construção?
Só três países possuem uma característica comum, que é ter mais de 8 milhões de quilômetros e pelo menos 200 milhões de habitantes: Estados Unidos, China e Brasil. Não existe um quarto país. Estados Unidos já viraram potência, China está virando agora. Falta o Brasil. Quando falo com investidores externos, todos enxergam a mesma coisa: a hora que fizermos o dever de casa, vamos virar uma grande potência.

Mas o Brasil ainda está muito distante disso.
Um dado que gosto de dar e que marca muito bem isso é o seguinte: o Brasil consome menos de 2% do aço e cimento do mundo. A China consome 50%. Ou seja, 25 vezes mais, enquanto o PIB chinês é quatro vezes maior que o do Brasil. Esses dados mostram como a relação é desproporcional e como essa indústria está travada no Brasil. A hora em que a gente entrar no padrão chinês de gasto de cimento e aço, que é o padrão de um país emergente, imagine qual será o reflexo para a indústria da construção.

Até que ponto o setor da construção vai contribuir para o crescimento econômico do país?
Olha que coisa interessante o nosso setor. Formamos 1,5 milhão de famílias por ano. Ou seja, teremos que construir casas para 35 milhões de brasileiros nos próximos 20 anos. Pouquíssimos países no mundo têm essa demografia. Isso é um negócio que ninguém tem, é uma característica nossa. Esse potencial é fantástico.

Há espaço para crescer no crédito imobiliário?
Nosso crédito imobiliário é só 10% do PIB. Nos Estados Unidos, são 70%. Nos países emergentes, de 20% a 30%. É mais um indicador que mostra que o nosso negócio tem um potencial gigantesco. Além disso, o arcabouço legal brasileiro é bom. Só falta agora a questão dos distratos, que vai ser a cereja do bolo. Com isso, o nosso setor vai ter muito chão pela frente, muito espaço para crescer. Repito: que país no mundo cria 1,5 milhão de famílias por ano? Temos que aproveitar isso.

A recente crise foi pior do que aquela do início dos anos 1980?
Passei por três grandes crises na MRV, e diria que esta, a terceira, foi a pior de todas. Ela durou muito tempo, foi minando as empresas e a competitividade brasileira, provocou danos entre todos os brasileiros, de A a Z. Foi a que mais me incomodou. Pior ainda: foi numa época em que o mundo estava vivendo um momento de ouro e o Brasil acabou perdendo espaço na economia mundial.

O que diferencia a indústria da construção brasileira da de outros países?
A indústria brasi

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