Embraer lidera perda na B3

Embraer lidera perda na B3

postado em 05/01/2019 00:00
As ações da Embraer lideraram ontem as quedas da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), com retração de 5,1%, após o presidente Jair Bolsonaro declarar preocupações sobre o acordo fechado pela companhia com a americana Boeing.

Depois da cerimônia de posse do novo comandante da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília, Bolsonaro afirmou que, segundo a última versão do contrato, informações tecnológicas podem ser repassadas à empresa de aviação americana. O presidente não detalhou que tipo de dados poderiam ser acessados, mas falou em proteção do patrimônio nacional.

;Seria muito boa essa fusão, mas não podemos... Como está na última proposta, daqui a cinco anos, tudo pode ser repassado para o outro lado. A preocupação nossa é essa. É um patrimônio nosso, sabemos da necessidade dessa fusão, até para que ela (Embraer) consiga competitividade e não venha a se perder com o tempo;, afirmou.

A Embraer aceitou vender 80% de sua divisão de aviação comercial, a principal da empresa, para a Boeing. Um dispositivo do acordo permite que a fabricante de aeronaves brasileira possa mais adiante vender os 20% restantes à companhia americana. O governo de Michel Temer via essa cláusula com restrições, pois a participação na área comercial ; a mais lucrativa ; é importante para a manutenção do braço de defesa, que apresenta resultados mais modestos.

O acordo, que já elevou o valor da divisão comercial da Embraer de US$ 4,75 bilhões para US$ 5,26 bilhões, envolve ainda uma parceria da Embraer com a Boeing para comercialização do cargueiro brasileiro KC-390, mas exclui os negócios da empresa brasileira nas áreas de aviação executiva e de defesa.

;Os comentários do Bolsonaro pesam um pouco. Qualquer ruído ou preocupação com a última proposta de fusão mexem na ação, embora não atrapalhem (o acordo);, disse o analista da Guide Investimentos Rafael Passos. ;Não vejo nenhum motivo para ele barrar a operação, mas é um ruído que mexe no (preço) do papel.;

No fim do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 3; Região (TRF3) derrubou uma segunda liminar que suspendia a negociação. Segundo fontes próximas à negociação, a Embraer esperava que o aval para a venda fosse dado ainda no governo Temer. Do lado da Boeing, a aposta era que só sairia na gestão Bolsonaro. Executivos da companhia brasileira, porém, têm mantido contato com a equipe do novo presidente desde as eleições. Até agora, a empresa não foi informada de nenhum entrave na avaliação do governo. Procuradas, Embraer e Boeing não comentaram o assunto.

Dono de uma ação especial na Embraer, a chamada ;golden share;, o governo federal tem até 16 de janeiro para chancelar o acordo. Depois, a venda ainda precisa ser aprovada por acionistas e órgãos antitrustes. Há uma preocupação com possíveis complicações no tribunal da China. No Brasil, nos EUA e na Europa, a tendência é de que o aval saia rapidamente.




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação