Parlamentares vão tentar derrubar MP

Parlamentares vão tentar derrubar MP

postado em 11/05/2019 00:00


Após derrota na votação da medida provisória que reestruturou os ministérios, o governo deve sofrer um novo revés nos próximos dias. Parlamentares promoveram, nesta semana, uma debandada da Comissão Mista que analisa novas regras para a contribuição sindical.

Segundo deputados e senadores que encabeçam o movimento, a ideia é impedir que o colegiado tenha quórum mínimo para funcionar e, assim, deixar a MP caducar. Caso não seja aprovada até o fim de junho, a medida que impede o desconto da contribuição sindical em folha salarial perde a validade.

Ao longo da semana, foram desligados 22 membros de 10 partidos diferentes ; DEM, PP, PR, PTB, Solidariedade, PSB, PSD, PT, MDB e Pros ; e novos saídas devem ocorrer na semana que vem, o que pode inviabilizar o início da comissão. A primeira reunião foi suspensa após a instalação, na quarta-feira.

Entre os que já avisaram que vão sair está o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). ;Conversamos com os membros e, para não ficar com essa história de toda semana ficar tentando instalar, acharam melhor se retirar do colegiado;, disse. A medida provisória foi a terceira a ser editada pelo presidente Jair Bolsonaro.

O movimento foi liderado pelo presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, com apoio de líderes da oposição e do Centrão. ;Não concordamos com esse radicalismo que o governo está colocando e que praticamente destrói a estrutura sindical;, frisou.

A debandada da comissão foi determinada pelos líderes partidários e pegou alguns parlamentares de surpresa. O deputado Pedro Lucas Fernandes (PTB-MA) afirmou que não sabia que havia sido desligado. ;Estou esperando ver o que acontece. A MP está parada, ninguém indicou nada.;

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), admitiu que a estratégia foi uma retaliação ao governo. ;O critério que estão estabelecendo para a distribuição de MPs não é o que havia sido acordado;, justificou. Braga reclamou do fato de o MDB, que tem a maior representação no Senado, ter ficado com apenas uma relatoria até agora, enquanto bancadas menores já receberam mais. As quatro MPs enviadas por Bolsonaro que já têm relator estão com PSC, DEM, PSDB e Solidariedade.

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