Última homenagem ao padre Casemiro

Última homenagem ao padre Casemiro

Religiosos e amigos do pároco assassinado no último sábado pedem mais segurança e justiça depois da tragédia que abalou a cidade. Muitos relembraram as ações do sacerdote polonês para a comunidade

» CAROLINE CINTRA » DARCIANE DIOGO*
postado em 24/09/2019 00:00
 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)


Fiéis se despediram, durante todo o dia de ontem, do padre polonês Kazimierz Wojno, 71 anos, morto estrangulado após um assalto à Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na 702 Norte. O assassinato aconteceu na noite de sábado e chocou os brasilienses. O sacerdote foi velado ao longo do dia, em duas missas na igreja e, no fim da tarde, foi enterrado no Cemitério Campo da Esperança.

O corpo do padre Casemiro, como era conhecido, chegou à paróquia pouco antes das 8h. Frequentadores e amigos do sacerdote estavam à espera para participar da primeira missa, às 10h. A todo momento, chegavam mais pessoas, que se aproximavam do caixão para dar adeus ao pároco.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) foi à igreja pela manhã para acompanhar a cerimônia. De acordo com ele, a morte do padre foi uma tragédia, não só para a comunidade religiosa, mas para todo o Distrito Federal. O chefe do Executivo local afirmou que o governo tem se esforçado, junto à Polícia Civil, para chegar aos autores do crime. ;Infelizmente, a insegurança está muito grande. Conversei com o secretário (de Segurança Pública) para reforçarmos a segurança, não só nas igrejas, mas em todas as áreas do DF;, declarou.

Ibaneis ressaltou que o governo adotará medidas para que casos como o do padre Casemiro não voltem a se repetir: ;Vamos colocar mais viaturas para acompanhar os horários de entrada e saída das missas. Temos de aumentar o efetivo da polícia no DF. Estou com a academia (de polícia) lotada, com 750 policiais em treinamento. Eles saem para as ruas a partir de janeiro e, depois, colocamos outra turma com mais 750. Quero manter esse ritmo até a gente recompor o efetivo da Polícia Militar e da Civil, também. Só aí as pessoas vão ter uma sensação de segurança maior;, destacou.

Após o fim da primeira missa, o ex-governador Rodrigo Rollemberg chegou à paróquia. Emocionado, limitou-se a dizer que o momento é de tristeza. ;Uma violência contra uma pessoa que só fez o bem, dedicou a vida a acolher os mais pobres, reduzir o sofrimento das pessoas. Tive um pouco de contato com ele. Uma filha minha casou nesta igreja;, contou.

Carinho

;Segurança e justiça; é o que pedem os frequentadores da Paróquia Nossa Senhora da Saúde. Irmã de um padre, a aposentada Ana Maria de Matos, 62, temeu pela vida do irmão quando soube do assassinato. Ele atua em uma paróquia assaltada há um mês. ;Fiquei com medo, porque parece que os criminosos estão mais de olho nas igrejas. O que aconteceu é um desrespeito com o corpo de Cristo. Uma situação de extrema violência;, disse. Do sacerdote polonês, ela só tem boas lembranças. ;Ele celebrava Corpus Christi como ninguém. A presença dele alegrava o ambiente. Era um padre a serviço do mundo;, afirmou Ana Maria.

Moradora de Sobradinho, a atendente Soraia Medeiros, 58, saiu mais cedo de casa para acompanhar a missa. Há alguns meses, ela trabalhava na clínica médica onde o padre se consultava, na Asa Norte. Soraia lembra que Casemiro conversava com pacientes e funcionários ;sempre com muito carinho;. ;Quando soube que ele tinha morrido, pensei logo que era um infarto, morte natural mesmo. Fiquei chocada quando soube do crime. Agiram com muita violência. Logo com ele, um ser humano bom, que transmitia paz e fé só no olhar;, disse.

Frequentadora da paróquia há 12 anos, a psicóloga e catequista Morgana Bornes, 56, ajudava o padre nos eventos e nas obras da igreja. ;Na última palavra dele, falou muito sobre violência. E olha como tudo aconteceu;, lamentou. ;Ele era uma pessoa maravilhosa, sempre disposto, preocupado. Uma pessoa santa mesmo. Não merecia passar pelo que passou. Hoje, só nos resta rezar e refletir sobre a fragilidade da vida;, completou Morgana.

O caseiro da igreja José Gonzaga da Costa, 39, também esteve na paróquia e se aproximou do caixão. Emocionado, ficou por poucos segundos e, em seguida, saiu do templo sem falar com a imprensa. No dia do crime, ele foi encontrado amarrado, mas conseguiu pedir socorro. As investigações para elucidar o crime estão sob o comando do delegado-chefe da 2; Delegacia de Polícia (Asa Norte), Laércio Rosseto (leia mais na página 20).

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