Levando cor ao guarda-roupa

Levando cor ao guarda-roupa

O isolamento social fez ressurgir uma antiga técnica de tingimento de roupas. Com mais tempo em casa, muita gente tem aderido ao tie dye e aproveitado para reciclar peças que estavam no fundo do armário

Por Manuela Ferraz*
postado em 05/07/2020 00:00
 (foto: Fotos: Arquivo Pessoal
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(foto: Fotos: Arquivo Pessoal )
O tie dye é, provavelmente, uma das tendências de moda que mais aparece no feed do seu Instagram neste momento. Diante da realidade atual, em que muitos estão isolados em casa, essa alternativa de tingir tecidos com cores vibrantes para renovar o astral da peça tem conquistado muita gente. Mas, afinal, o que é tie dye?

Thais Parreira, 33, consultora de imagem da equipe Resolva Meu Look, explica que essa é uma antiga técnica, de origem japonesa e tradicionalmente utilizada por várias culturas no mundo, especialmente asiáticas e africanas. ;Teve seu ápice entre as décadas de 1960 e 1970, com adeptos do movimento hippie, que usavam roupas e cangas com a técnica em festivais musicais, como símbolo de liberdade e revolução social. Em meados da década de 1990, o tie dye foi resgatado pelos clubbers. A abundância de cores em uma só peça era ideal para representar o estilo de vida deles;, explica.

Segundo ela, no contexto atual, o tie dye ressurge como uma forte tendência por causa da necessidade de termos peças personalizadas e exclusivas, e também pelo fato de estarmos mais tempo em casa, onde o conforto nas roupas se torna prioridade ; motivo pelo qual podemos perceber uma releitura da técnica em moletons.

Para Thais, toda cor transmite uma mensagem e tem um significado. Quando usamos roupas coloridas, passamos uma imagem de acessibilidade, alegria, vitalidade e energia. ;Nós, seres humanos, somos muito sensíveis às cores e, ao tomarmos consciência disso, podemos usá-las a nosso favor para nos ajudar a transmitir determinadas mensagens e até para alterar nossos sentimentos e disposição.;

A consultora, inclusive, experimentou fazer seu próprio tie dye. Em sua página no Instagram (@thaisparreira.resolva), compartilhou um vídeo com o passo a passo da técnica que se caracteriza por jogar tinta na roupa com o auxílio de um pincel. Ela detalha que a ;técnica do pincel; não pode ser considerada tie dye, pois não tem amarrações, mas achou bem divertida a experiência de fazer a própria arte. ;Também fiz o modelo tradicional, no qual você enrola o tecido, amarra com liguinhas, dividindo os espaços, e depois vai colorindo com tinta acrílica para tecido diluída em um pouco d;água. Achei o resultado incrível, e já estou pensando qual próxima peça tingir.;

Sem regras

Pessoas predominantemente criativas, provavelmente, aderiram à tendência facilmente, mas não há regra. O tie dye pode ser inserido nos mais diversos estilos, uma vez que sua versatilidade permite levar mais cor a algumas peças ou menos a outras, e se encaixar em vários contextos.

A personal trainer Fernanda Queiroz, 35, conta que sempre gostou do estilo, mas não achava nenhuma peça que se sentisse atraída a comprar. ;Como eu tinha algumas roupas que não usava mais e gostaria de dar uma nova vida a elas, comecei a pesquisar como fazer para desenvolver as peças exatamente como queria.;

Para ela, é uma forma de adicionar cor ao armário e uma oportunidade de dar uma nova cara para as roupas que estavam esquecidas, deixando o processo mais sustentável. ;Muita gente tem o costume de usar sempre as mesmas cores. Eu mesma sou muito básica, uso muito branco, preto, cinza, jeans, e o tie dye traz uma explosão de cores. Isso leva mais alegria para os nossos dias.;

A personal trainer acredita que as peças supercoloridas se tornam únicas, mas também vê charme nas manchadas apenas com cores neutras. Para ela, a técnica de tingimento é legal justamente por conseguir criar de peças básicas a ultracoloridas. Fernanda costuma usar as peças tingidas com calças e short jeans, principalmente com modelos rasgados e desfiados, ou compor um look todo tie dye. ;Faço conjuntos que não sejam dos mesmos tons. Também gosto de usar canga ou saída de praia tie dye com biquíni, acho que fica bem verão.;

A paixão de Fernanda pela tendência a levou até a abrir uma lojinha no Instagram (@lojinhafequeiroz), em que vende roupas de produção artesanal. Tudo começou quando ela, que também é influenciadora digital da área fitness, passou a compartilhar as roupas que tingia no perfil pessoal e começou a receber solicitações dos seguidores.

A personal começou ensinando as pessoas a fazerem o próprio tie dye, mas elas reclamavam que nem sempre ficava como queriam. ;Os seguidores diziam que queriam peças parecidas com as minhas. Como não dava conta de fazer para todos que me pediam, resolvi criar umas peças e colocar na lojinha;, explica. Entre os modelos estão shorts, camisetas, camisetão de manga longa, moletons e algumas peças únicas, como o macaquinho e uma camisa jeans que tinha no acervo. Todos tingidos em tie dye, claro.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

A voz da experiência

Engana-se quem acredita que o tie dye é uma modinha. A artesã Diana Diano carrega experiência com a técnica de tingimento desde a década de 1970, quando começou a confeccionar peças e comercializá-las na Feira de Artesanato da Torre de TV de Brasília.

Tudo começou com seu pai, que era tintureiro em São Paulo e veio com a família para a construção de Brasília, na década de 1960. ;Como a tinturaria não seria o ramo dele aqui, resolvi fazer o contrário. Ele recuperava roupas, e eu decidi manchar roupas e pintá-las da cor da vida;, detalha Diana.

Ao lado da filha Vera Veronika, artesã, professora e cantora de rap, ela permanece criando e vendendo suas roupas únicas no mesmo local até hoje. A família, inclusive, é o maior propósito da confecção. ;Tenho outra filha, que é publicitária, e mantenho um orfanato para crianças abandonadas. O Recanto da Paz é uma casa abrigo sem vínculo governamental. Então, todas as roupas que produzimos é para criar nossas crianças.;

Para produzir as peças ; femininas, masculinas e agênero ;, ela pesquisa tendências, desenha os modelos e usa técnicas de tie dye, tingimento e descoloração para pintura. O cliente pode, ainda, entregar sua peça para customização.

Com a grande experiência vêm os aprendizados. ;Antes, a gente tingia um pedaço de tecido e acabava indo muito retalho embora ou ficava com duas roupas no mesmo tom. Hoje, as roupas são costuradas primeiro e tingidas depois. Fazemos peças exclusivas, cada uma com um tingimento diferente, mantemos a exclusividade na cor.;

Outro diferencial da marca são os tamanhos. ;Fabricamos até o número 70, mas, se precisar, fazemos maior. Além do tie dye, trabalham

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