Ainda sem data para a reforma

Ainda sem data para a reforma

postado em 29/06/2016 00:00
 (foto: Jhonatan Vieira/Esp.CB/D.A. Press - 23/5/16)
(foto: Jhonatan Vieira/Esp.CB/D.A. Press - 23/5/16)


Sem consenso com as centrais sindicais, o governo teve que tirar o pé do acelerador e admitir que ainda não pode estabelecer uma data para concluir a reforma da Previdência. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, até que tentou manter o discurso do Palácio do Planalto de que o texto, com as propostas, ;pode ser enviado (ao Congresso) até o fim do ano;. E procurou não associar um possível atraso no envio às eleições municipais de outubro, pois o tema é considerado complexo e provavelmente não terá o apoio da base aliada. Os parlamentares não querem nem ouvir falar no assunto. Principalmente, os mais de 100 parlamentares que, segundo cálculos de analistas políticos, devem se candidatar a prefeitos.

;Não tem nada a ver com eleições, queremos uma reforma sustentável;, garantiu Padilha. A intenção do governo, no entanto, em 18 de maio, data da primeira reunião com algumas centrais, era ter uma proposta totalmente pronta para ser enviada ao Congresso em 30 dias. O próprio Padilha concordou à época com o prazo. Depois de muita discussão com os representantes dos trabalhadores, ficou evidente que não vai ser fácil chegar a um acordo sem ceder. Ou vai desagradar ao empresariado, que é importante base de apoio ao presidente interino, Michel Temer, ou terá que impor transformações radicais que ferem o que os sindicalistas costumam chamar de direitos adquiridos.

Ontem, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, deixou claro o tamanho do problema que o Executivo terá de enfrentar. O sindicalista acha que ;o governo não fez o dever de casa;, ou seja, está forçando uma reforma, sem resolver os problemas estruturais. ;Nada do que discutimos na primeira etapa, os pontos que estavam em um documento que apresentamos, com indicações de saídas para a sustentabilidade do sistema previdenciário, foi cumprido;, disse. ;Praticamente discordamos de tudo que os empresários desejam. Principalmente, a desvinculação do aumento das aposentadorias de quem ganha mais que o salário mínimo à inflação;.

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