Custos engolem a rentabilidade

Para ganhar em fundos é preciso ver taxas de administração

Victor Martins
postado em 02/02/2014 00:00

Brasília - O brasileiro, diferentemente de quando vai a uma loja, não pergunta o preço ao escolher um investimento. Parece esquecer que quase tudo tem um custo, e que é muito raro encontrar algo gratuito. O mercado financeiro não é uma casa de caridade. Assim, nenhuma instituição financeira ou corretora vai fazer seu dinheiro render sem cobrar algo em troca. Para não cair em armadilhas, nunca duvide: seja a tradicional caderneta, ações ou títulos públicos, todos são produtos e, de forma semelhante aos que você encontra no supermercado, têm um preço.

Os fundos de investimento, que reúnem a maior parte da poupança financeira do país ; uma montanha de R$ 1,94 trilhão ;, estão entre os produtos considerados caros. As taxas de administração cobradas pelos bancos ou corretoras, quando somadas ao Imposto de Renda, tornam a maior parte deles um ralo onde se perde dinheiro. A modalidade, porém, pode trazer bons ganhos, se for bem estudada.

Antes de colocar o dinheiro em qualquer aplicação, o investidor precisa pensar como um consumidor: se o preço (ou a taxa de administração) for elevado, não compre. Além disso, é preciso considerar os prazos. O tempo que o dinheiro fica indisponível determina quanto de taxa você pode aceitar. Nas condições atuais do mercado, para uma aplicação de até seis meses, 0,50% ao ano é o máximo; de seis meses até dois anos, 1% é o teto; acima de dois anos, até 1,50%.

Especialistas explicam que, no Brasil, os custos dos fundos de investimento se esconderam, por anos, atrás de rentabilidades exorbitantes, da época em que os juros básicos (Selic) superavam os 40% ao ano, ou do período em que o país amargava a hiperinflação. Como a carestia era muito alta, esses percentuais elevados não significavam, necessariamente, lucros para o investidor, e ninguém percebia o tamanho dos encargos cobrados pelas instituições financeiras.

;É um processo histórico. As taxas de administração vêm caindo nos últimos anos, embora lentamente;, observa Bolívar Godinho, professor de finanças do Unicesp Osasco (SP). ;A razão de os custos serem mais altos aqui do que lá fora pode estar na pouca concorrência ou na falta de conscientização do investidor. Ele não tem o hábito de perguntar os encargos cobrados pelos administradores dos fundos;, ensina Godinho. Depois da estabilização da economia, a partir de 1994, e da redução da Selic, mais recentemente, a renda fixa passou oferecer ganhos menores. O retorno desse tipo de fundo de investimento, no entanto, ainda pode ser interessante, mas é preciso saber escolher.

Miguel Oliveira, diretor-executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), lembra que é necessário obter o máximo de informações antes de investir. ;Se um fundo é interessante ou não, depende da taxa de administração e do tempo que o dinheiro permanecerá aplicado;, lembra. Com a Selic a 10,5% ao ano, um fundo de investimentos com taxa de 1,5% ao ano só é mais interessante que a poupança se o dinheiro ficar investido por dois anos.

Nos cálculos de Oliveira, o investidor, hoje, não deve aceitar uma taxa de administração superior a 1% ao ano. Se for deixar o dinheiro aplicado apenas por seis meses, 0,50% de custo é o limite. "Como podemos ver, seja a poupança antiga ou a nova, a caderneta ganha dos fundos na maioria das situações", constatou.

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