Recorde negativo na criação de vagas

Recorde negativo na criação de vagas

FLÁVIA MAIA
postado em 13/11/2015 00:00
A cada 10 pessoas que entram no mercado de trabalho no Distrito Federal, apenas uma tem a vaga garantida. A dificuldade de gerar postos de trabalho na capital do país levou a uma situação inédita e alarmante: o estoque de postos de serviço em 2015 deve fechar no vermelho pela primeira vez em 23 anos de série histórica. Projeções do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e do Instituto Brasiliense de Estudos da Economia Regional (Ibrase) apontam queda de 10 mil novos empregos. Os dados foram divulgados ontem pelos dois órgãos e fazem parte do estudo Deterioração do mercado de trabalho.

O levantamento mostrou que, entre o último trimestre de 2012 e outubro de 2015, apenas 7 mil postos foram criados, enquanto a População Economicamente Ativa (PEA) cresceu em 70 mil pessoas. Para realçar a desaceleração nos últimos três anos, a pesquisa traz um comparativo de 2011 e 2012, quando surgiram 98 mil ofertas.

Dessa forma, a quantidade de desempregados alcançou 225 mil pessoas, e a conclusão do estudo é de que, em 2016, o quadro deve ser agravar, com intensificação das demissões, ;decorrentes do efeito sazonal do mercado de trabalho e da persistência da crise econômica mundial;. ;É possível que nos aproximemos do número recorde de desempregados registrado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-DF), de 268 mil, ocorrido em agosto de 2003, embora distante da taxa de desemprego recorde de 23,9% verificada em abril do mesmo ano;, complementa o levantamento.

Setor público
Para o vice-presidente da Cofecon e responsável pelo estudo, Júlio Miragaya, o pano de fundo para a dificuldade de criação de empregos é a estrutura econômica pouco diversificada no DF e a dependência da administração pública. ;Se o setor público vai mal, a economia sente o efeito em cadeia: as pessoas consomem menos, comércio e serviços diminuem as atividades e acabam demitindo;, explica. Miragaya defende maior diversificação da estrutura produtiva para criar vagas de emprego. O subsecretário de Trabalho do DF, Thiago Jarjour, credita a diminuição dos novos postos à crise econômica do país.

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