Agenda estratégica

Agenda estratégica

postado em 05/06/2018 00:00
Preso a modelos antigos e a um arcabouço regulatório anacrônico, o Brasil precisa, urgentemente, definir estratégia e políticas voltadas ao novo ciclo de transformações da era digital. E as telecomunicações são o pilar essencial para implementar o ecossistema digital, explica Leonardo Euler, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo ele, a digitalização dos processos produtivos tem uma centena de ações para os próximos quatro anos, que vão gerar impacto para mais de 10 setores e serão decisivas para aumentar a produtividade e a competitividade do país.

;A infraestrutura de rede fornece conectividade para todo os setores. O que dá liga é a conectividade. Então, temos de colocar a banda larga no centro da política pública. E isso requer a aprovação de medidas legislativas;, diz Euler. Sergio Paulo Gallindo, presidente da Brasscom, destaca que vários projetos no Congresso têm potencial para destravar os investimentos. ;Transformação digital pressupõe integração de cadeias antigas. É a união de todos os atores e subsetores. Por isso, precisamos de união para construir essa agenda estratégica;, diz.

Christian de Castro, presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), explica que o órgão trata de conteúdo e toda a cadeia de valor que isso representa, num mundo digital: mídia, entretenimento e educação. ;Quando isso dá certo, a exponencialidade acontece, com a propagação da cultura;, afirma. ;Temos de dar atenção às tecnologias para ter essa propagação e a exponencialidade;, completa.

Indutor da economia como um todo, o setor de telecomunicações tem o desafio de ser mais horizontal do que vertical, assinala o vice-presidente de Estratégia da Eriscsson, Vinicius Dalben. ;É preciso se integrar mais aos demais setores da sociedade. A indústria tem de ser capaz de personalizar o atendimento, de integrar os segmentos. Hoje, há máquinas altamente desenvolvidas no campo sendo conectadas com 2G;, lembra. Para ele, a capacidade de orquestração do mercado local é tão importante quanto a implantação da infraestrutura.



A transformação a partir das TICs
O Brasil precisa se preparar para a revolução que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) está promovendo no mundo. E isso começa com um olhar diferenciado para as telecomunicações, que precisam ser encaradas como solução e não problema, explica Claudia Viegas, sócia da LCA Consultores. Segundo ela, as TICs têm potencial de disseminar ganhos de competitividade em toda a economia. Para isso, no entanto, é preciso acelerar as condições para investimentos privados. ;Os fundos setoriais e tributos arrecadaram mais de R$ 63 bilhões em 2016. Porém, de 1997 a 2015, apenas 4,9% arrecadados pelo Fistel foram usados na fiscalização das telecomunicações, objetivo do fundo, e somente 1,2% do Fust, aplicados na universalização do acesso;, revela Claudia, com base em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).



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