Buriti sai em busca de apoio

Buriti sai em busca de apoio

Rodrigo Rollemberg visita órgãos judiciários e administrativos para conseguir apoio às medidas impopulares anunciadas na terça-feira. Redução de secretarias pode influenciar nas aprovações de projetos de lei pela Câmara Legislativa e na relação dentro do próprio PSB

» MATHEUS TEIXEIRA
postado em 17/09/2015 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)


O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) peregrinou, ontem, pelos principais órgãos judiciários e administrativos a fim de justificar a necessidade do pacote de medidas apresentado pelo GDF, com cortes de custos e aumento de receitas ; inclusive com reajustes considerados impopulares, como tarifas de transporte público e impostos. Na terça-feira, ele já havia visitado a Câmara Legislativa com o intuito de entregar a Lei Orçamentária Anual de 2016 e explicar as razões para a suspensão do pagamento dos reajustes.
O chefe do Executivo local vai depender da Justiça para vencer a queda de braço com os sindicatos, por isso, o esforço em visitar as instituições: enquanto o governo alega não ter dinheiro, associações de trabalhadores vão lutar até a última instância pelo pagamento dos aumentos, sob pena de declarar greve geral, caso o socialista não volte atrás. A palavra final deve ser do judiciário.
Entre os deputados distritais, o clima era de apreensão. Mesmo os aliados mais próximos evitam defender publicamente a elevação de impostos. Nos bastidores, contudo, diz-se que Rollemberg usou o recesso legislativo, em julho, para costurar apoios mais sólidos na Casa. Neste período, a Seção 2 do Diário Oficial do DF, onde são publicadas as nomeações, esteve recheada. O comandante do Palácio do Buriti acomodou apadrinhados de alguns parlamentares. Por isso, mesmo que os parlamentares não defendam as medidas abertamente, há a expectativa de aprovação dos projetos.

Nova estrutura

Enquanto no parlamento o assunto era a apreciação das iniciativas do governo, no Palácio do Buriti, o anúncio de Rollemberg caiu como uma bomba. Ele divulgou a redução de 24 para 16 secretarias e explicou como será a nova estrutura administrativa, mas não informou quem deixará o primeiro escalão nessa dança das cadeiras. Na coletiva da última terça-feira, a maioria dos secretários esteve presente. A discussão passou pela pauta de como resolver a equação política de reduzir espaço no governo e, ao mesmo tempo, a necessidade de ampliar a base de apoio.
Desde o início do governo, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico estava na cota do PSD; a de Turismo e de Ciência e Tecnologia na do PSB; a do Trabalho na do PDT; e a de Agricultura na do deputado Joe Valle. Acredita-se que Arthur Bernardes, secretário-geral do PSD-DF, deva seguir como chefe de pasta. Ele ainda vai ter de encontrar espaço para o PDT ; principal partido aliado ; e para Valle.
Além de ter deixado insatisfeitos sindicatos, setor produtivo e parte da classe política, o socialista pode ver estourar uma rebelião dentro do próprio quintal. Com a fusão da Casa Civil com a Relações Institucionais, a tendência é que Sérgio Sampaio fique à frente da pasta e Marcos Dantas deixe o primeiro escalão. Somado ao rebaixamento do Turismo e à possível saída de Jaime Recena, o PSB pode ver o presidente e o vice-presidente do partido, respectivamente, perder espaço no governo. A leitura de socialistas é de que a sigla pode ser esvaziada, perder completamente a força na gestão do DF. O partido cobra mais espaço na gestão do DF desde o início do governo. Agora, a pressão do PSB deve aumentar.

Críticas

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) convocou a imprensa, ontem, para criticar o pacote do GDF. Segundo o opositor de Rollemberg, o ex-governador petista Agnelo Queiroz não deixou rombo nas contas públicas, como afirma o atual chefe do Executivo. ;Não há transparência nas afirmações do governador. A cada hora, ele se refere a um número diferente quando fala do deficit. Ele divulga apenas o que é conveniente e esconde o resto;, afirma. Vigilante aproveitou para elogiar Agnelo. ;Todas obras que Rollemberg se vangloria, e diz fazer, foi fruto do nosso trabalho. A infraestrutura em Vicente Pires e no Sol Nascente têm origem em um empréstimo que nós conseguimos. As creches e as casas populares que ele entregou, nós começamos a construir. Ele não tem projeto;, criticou.


União e tensão

Há casos em que Rodrigo Rollemberg uniu debaixo do mesmo teto cinco áreas que, até então, eram comandadas por cinco secretários diferentes. Para completar a tensão entre governistas, Rollemberg só vai anunciar a nova composição do secretariado daqui a 15 dias. O núcleo político do Buriti tem de resolver, por exemplo, quem será o chefe da supersecretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Trabalho, Agricultura e Ciência e Tecnologia.

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